“Acho que eles têm um problema com o meu país”, diz árbitro da Copa vetado nos EUA

Somali escalado para a Copa afirma que tinha visto regular, passou 11 horas na imigração e acabou excluído do torneio

Estadão Conteúdo

Omar Abdulkadir Artan seria o primeiro árbitro da Somália a apitar uma Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram Omar Abdulkadir Artan
Omar Abdulkadir Artan seria o primeiro árbitro da Somália a apitar uma Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Instagram Omar Abdulkadir Artan

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Impedido de entrar nos Estados Unidos às vésperas da Copa do Mundo, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan criticou a decisão das autoridades de imigração norte-americanas e afirmou acreditar que sua nacionalidade teve influência no caso. Em entrevista ao jornal The New York Times, o juiz demonstrou indignação após ser impedido de participar do torneio.

“Acho que eles têm um problema com o meu país”, declarou.

Artan integrava a lista de árbitros selecionados pela Fifa para trabalhar na Copa e faria história como o primeiro somali a atuar em uma edição do Mundial. Segundo o próprio árbitro, ele apresentou toda a documentação exigida para entrar no país, incluindo o visto apropriado e documentos relacionados à sua atuação na competição.

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“Estou muito, muito desapontado. Eu tinha a documentação correta e tudo mais. Tinha o visto certo”, afirmou.

O profissional relatou que passou por um longo processo de verificação ao desembarcar nos Estados Unidos. De acordo com seu relato ao jornal norte-americano, a entrevista com agentes da imigração durou cerca de 11 horas. Após a negativa de entrada, ele foi mantido sob custódia por mais algumas horas antes de ser colocado em um voo com destino à Turquia.

Ainda segundo Artan, nenhuma explicação detalhada foi apresentada pelas autoridades para justificar a decisão.

Considerado um dos principais árbitros do continente africano na atualidade, o somali, de 34 anos, acumulou nomeações importantes nos últimos anos. Entre elas, a final da Liga dos Campeões da África da temporada passada. Em 2025, ele também foi eleito árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

A exclusão da Copa interrompe um momento especial na carreira do juiz, que classificou a participação no Mundial como a realização de um objetivo construído ao longo de mais de uma década de trabalho.

“Sou apenas um árbitro tentando realizar meu sonho, o maior sonho da minha vida, que é vir à Copa do Mundo”, lamentou.

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Em nota, a Fifa confirmou que Artan não poderá atuar na competição e ressaltou que não tem participação nos processos migratórios dos países-sede. A entidade informou ainda que foi comunicada pelas autoridades norte-americanas de que a situação do árbitro não será revista neste momento.

Já o governo dos Estados Unidos afirmou que o somali teve a entrada negada após avaliações relacionadas à verificação de antecedentes, sem divulgar mais detalhes sobre o caso.