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"Agora Embraer vai ter que provar": Morgan Stanley vê cenário incerto e corta recomendação para ADR após rali

Valuation já não mais atrativo, joint venture já precificada com a Boeing e projeção decepcionante para os resultados entre 2018 e 2020 levaram à redução de recomendação

Embraer - Jatos E175
(Divulgação/Embraer)

SÃO PAULO - Depois do ânimo na Bolsa com o avanço da fusão, é hora de olhar a fundo o cenário para Embraer (EMBR3) e esperar para ver quais serão os efeitos do acordo. Com base nisso, o Morgan Stanley reduziu a recomendação para os ADRs (American Depositary Receipts, ou recibo de ações negociados em Wall Street) da fabricante de aeronaves de  'overweight' (exposição acima da média do mercado) para 'equal-weight' (exposição em linha com a média do mercado).  O novo preço-alvo é de US$ 23,70 (antes US$ 24,50), o que implica em um potencial de alta de 5% em relação ao último fechamento.

Intitulado "Agora vai ter que provar", o relatório destaca que a ação possui um risco-retorno equilibrado, com um valuation já não mais atrativo, que a joint venture com a Boeing já está precificada e que a projeção da companhia para os resultados entre 2018 e 2020 desapontou, tanto na divisão executiva quanto na de defesa.

"Com a ação subindo cerca de 25% desde as baixas do ano passado, acreditamos que temos um  potencial de valorização limitado pela frente. Ficamos desapontados com as projeções divulgadas e acreditamos que os investidores não pagarão antecipadamente para uma eventual reviravolta dessas duas divisões", escrevem os analistas. 

Na véspera, a fabricante de aviões anunciou a redução da sua projeção de lucro operacional de 2018 para US$ 200 milhões, ante estimativa anterior de lucro na faixa de US$ 270 milhões a US$ 355 milhões. A empresa também revisou a estimativa para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) e para as margens Ebitda (Ebitda/receita líquida) e operacional.

Segundo o relatório, os números mais baixos de 2018 são explicados pelas menores entregas executivas e pelas receitas mais fracas na divisão de defesa. Os analistas ainda destacam que um upside adicional pode vir de entregas melhores do que as esperadas, "mas as projeções para 2020 não são inspiradoras", reforçam. 

Assim, com um “upside limitado" para novo preço-alvo e “perspectiva operacional incerta”, os analistas do banco preferem “ficar à margem”, mantendo uma visão por ora neutra sobre os papéis da companhia. 

O anúncio de um potencial dividendo, de US$ 1,6 bilhão, após a conclusão do acordo com a Boeing também não surpreendeu, visto que, segundo o Morgan Stanley, está em linha com as expectativas do mercado. Além disso, os analistas acreditam que deve haver uma redução da liquidez das ações da Embraer quando o negócio com a Boeing for concluído. 

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