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Expectativa de vida: como ela afeta o planejamento da sua aposentadoria?

Expectativa de vida crescente exige atenção, pois quanto maior a sua sobrevida, menor a renda com a qual terá que viver

SÃO PAULO - Preocupado com o futuro você começou, desde cedo, a planejá-lo. Tanto já se sente confortável que, quando parar de trabalhar, terá acumulado um patrimônio adequado para manter o seu padrão de vida.

Em seu planejamento, você assumiu que os seus investimentos irão render 4% acima da inflação ao ano. Mas, como não sabe ao certo a alíquota sob o qual este rendimento vai ser tributado, você planejou não resgatar mais do que 3% ao ano do patrimônio que acumulou.

Seu planejamento parece perfeito, não fosse o fato que planejou viver até os 80 anos. Por mais que, aos 40 anos, isso pareça muito, é provável que você viva mais do que isso, sobretudo se for mulher. Isso porque a expectativa média de vida das mulheres brasileiras é, em média, seis anos e meio superior à dos homens.

Quanto você vai viver?
Esta é uma pergunta difícil de responder pois não está sob o seu controle, pelo menos não inteiramente. Porém, uma análise dos seus familiares pode lhe dar uma indicação da longevidade familiar, assim como o estilo de vida e cuidados com a saúde que você mantém.

Se o seu pai era fumante, sedentário e faleceu aos 70 anos, é provável que você, que corre diariamente e não fuma, tenha uma vida mais longa. Não só devido aos hábitos mais saudáveis, mas também devido aos avanços da medicina. Atualmente, a expectativa média de um brasileiro ao nascer é de 71,9 anos, variando de região para região. De forma que parece razoável assumir que você viverá até os 80 anos.

Porém, o que se constata é que a expectativa de vida, no mundo todo, vem crescendo de forma assustadora. Tanto que, em muitos países, os próprios governos, ao planejarem o desembolso que terão com os aposentados, já consideram uma sobrevida de pelo menos 90 anos, ou seja, uma década a mais do que você planejou.

Na ponta do lápis
Mas, o que esta década a mais faria para o seu planejamento? Vejamos o caso de uma pessoa que se aposentou aos 60 anos com R$ 500 mil, e que planeja ter um retorno de 6% ao ano acima da inflação nas suas aplicações. Considerando uma alíquota de 15% de imposto de renda, já que é provável que se trate de investimento de longo prazo, estamos falando de um retorno líquido de 5,1% ao ano, ou 0,41% ao mês.

Caso a pessoa planeje utilizar integralmente o patrimônio acumulado durante os 20 anos, que planeja viver após a aposentadoria, seria possível ter um resgate mensal de R$ 3.295. Caso planeje deixar uma herança de R$ 100 mil para os filhos, o saque mensal cai para pouco mais de R$ 3 mil. Ou seja, a decisão de deixar, ou não, uma herança, causou uma diferença de 7,4% na sua renda.

E se você vivesse mais dez anos, o que isso faria para a sua renda? Nesse caso sua renda cairia 21% para R$ 2,6 mil (assumindo que não deixe herança), ou quase três vezes mais do que a redução necessária para deixar uma herança para os seus filhos. É provável que, com o passar do tempo, você percebesse o erro cometido. Mas aí fica mais difícil ajustar o seu planejamento.

O ideal é que avalie esta possibilidade agora, que ainda está poupando para a sua aposentadoria. Caso contrário, ao invés de deixar uma herança para os seus filhos, você acabaria tendo que depender deles para garantir o seu padrão de vida.

 

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