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Análise Técnica: opere com mais eficiência rompimentos de congestão

Aliando indicadores de volatilidade e volume, trader pode aproveitar momento de indecisão do mercado para armar operação lucrativa

SÃO PAULO - Dentro do mercado financeiro, existem, basicamente, duas escolas de análise – técnica e fundamentalista –, que por vezes rivalizam sobre a eficiência metodológica de cada. No escopo da análise técnica, essas ‘divergências’ abrangem o setup operacional.

Há traders que defendam apenas o trend following, na busca por ganhos nos grandes movimentos de preços, enquanto outros advogam regras operacionais que priorizem operações de curtíssimo e curto prazo.

Aos adeptos do day trade e do swing trade existem diversos setups operacionais, desde Ondas de Elliott até algoritmos que parcelam ordens conforme o volume negociado no mercado. Contudo, existe um método que faz sucesso como poucos – o de rompimento de canal.

Rompimento de canal
Por definição, o canal é composto por um suporte (banda inferior) e uma resistência (banda superior), podendo ser um canal de tendência (alta ou baixa) ou lateral (acumulação). É neste último que estamos interessados.

As congestões resguardam um grande potencial, pois é o momento qual o mercado busca fôlego para continuar ou reverter sua atual tendência e os indicadores técnicos exercem sua real função de antecipar o próximo movimento. Em linhas gerais, o investidor buscará entrar na primeira pernada de alta ou baixa do ativo, no estouro da volatilidade.

Mas antes de sair programando seu setup operacional, é preciso entender definitivamente o que é este fenômeno. Rompimento consiste na quebra de um dos lados do canal de congestão, sendo este acompanhado por um volume ascendente e, preferencialmente, acima da média. O exemplo com os papéis preferenciais da Gerdau (GGBR4) ilustra perfeitamente o explicitado:

Depois de uma tendência de baixa, as ações entraram em um canal lateral (R$ 21,20 e R$ 20,10) entre 19 e 27 de outubro, dando sinais de acumulação de força, conforme apontava o OBV (On Balance Volume). Até que, em 25 de outubro, o ativo começou dar sinais de reversão.

A partir desta data, o volume começou ficar ascendente (linha cinza) e o OBV alinhou-se ao último topo (linha vermelha), sinalizando a vontade do mercado em alterar o atual quadro de congestão.

Então, em 28 de outubro, a ação rompeu a faixa dos R$ 21,20 com um volume acima da média e o OBV ultrapassou o topo, confirmando a sinalização de reversão da tendência, no caso, para alta. Além disso, o rompimento foi acompanhando por um gap, demonstrando a pressão compradora exercida.

Pontos relevantes na estratégia
Neste tipo de operação, a formação gráfica da congestão pode ser um artifício utilizado para manejar melhor a operação. Não raro, o investidor encontrará Bandeiras e Flâmulas, Triângulos ou Cunhas, padrões gráficos que podem indicar os próximos passos do ativo. Ainda dentro do assunto, é importante ficar atento ao número de toques (quanto maior, mais importante a região) e ao tamanho (quanto maior, mais força de acumulação) das figuras.

Além dos padrões gráficos, o trader que visa utilizar esta estratégia deve ficar atento à explosão de volatilidade do ativo, ponto no qual seu start de compra tenderá a ser acionado, e que, na realidade, é uma consequência primária do rompimento da congestão.

Volatilidade e o rompimento
Entre os inúmeros indicadores técnicos disponíveis nas plataformas de negociação, as Bandas de Bollinger e o Canal de Keltner talvez sejam os mais utilizados quando o assunto é volatilidade. E para este tipo de operação não será diferente.

Muito além da função de suporte e resistência, as Bandas de Bollinger traduzem a volatilidade do ativo através do desvio padrão (banda superior e inferior) da média móvel (banda central) que orienta o canal. Quando estreitas, indicam que um novo movimento irá começar, ou seja, o mercado está em fase de acumulação. Ao passo que quando explodem, sinalizam a reversão ou continuação da tendência principal, pontos culminantes para este setup operacional.

Por trás das duas bandas existem, basicamente, dois indicadores menos conhecidos – BandWidth (BandW) e Bollinger %b (%b). O primeiro mede a largura entre as bandas em relação à média utilizada, ou seja, se estão abertas ou fechadas. O segundo calcula a distância do preço em razão às bandas superior e inferior; traduzindo: se há espaço para a movimentação dos preços.

Através destes, o investidor poderá programar sem maiores dificuldades um trade system que forneça papéis com uma boa configuração gráfica visando a estratégia de rompimento, ao invés de ficar procurando gráfico por gráfico.

Outra ferramenta auxiliar neste setup operacional, mas não muito tradicional entre os investidores brasileiros, é o True Range. Desenvolvido por Welles Wilder no final da década de 1970, o indicador mensura a volatilidade do ativo, utilizando, para este cálculo, a relação entre fechamento, máxima e mínima.

Volatilidade aplicada
Para exemplificar todas estas funções, vamos utilizar como referência os papéis ordinários da MMX (MMXM3), citados pela equipe de análise técnica do Bradesco em 25 de novembro como oportunidade de trade.

Como descrito naquela data, as ações da mineradora encontravam-se em uma congestão de curtíssimo prazo sobre seu principal suporte em R$ 12,60, e a banda superior concentrava-se na região dos R$ 12,90. Naquela data, as Bandas de Bollinger estavam estreitas, como apontava o BandW (próximo de 1,77), sinalizando que algum movimento maior poderia ocorrer com o papel nos próximos pregões. Destaque também para o baixo valor do True Range, corroborando o momento de acumulação do ativo.

Confirmando a expectativa, a ação abriu o pregão de 26 de novembro em forte baixa, com queda de 3,38% nas duas horas iniciais de negociação. Instantaneamente, as Bandas explodiram, assim como o True Range e o BandW, dando sinal de venda ante o rompimento dos R$ 12,60.

É importante lembrar que não foram feitos testes estatísticos neste exemplo, sendo meramente ilustrativo, a fim mostrar a eficiência das Bandas de Bollinger como medida de volatilidade e sua utilização no escopo das estratégias de rompimento.

Outros pontos relevantes
Definida sua estratégia de entrada, os manuais de análise técnica sugerem que o trader estipule pontos de saída prévios neste tipo de operação. Uma das alternativas mais utilizadas nesta missão são as expansões de Fibonacci, assim como é feito para calcular as projeções de um pivô de alta ou de baixa.

Outro ponto ainda mais importante é o stop, tanto para sair do trade com lucro, como para estancar as perdas. No primeiro caso, o ATR pode ser uma boa alternativa, já que também é atrelado à volatilidade. No segundo caso, o Money Management é vital, pois existe a possibilidade de um falso rompimento, uma das principais críticas feitas ao método.

Críticas e conclusões
É muito importante o trader saber que este tipo de estratégia engloba, basicamente, dois riscos: falso rompimento do padrão gráfico e baixa volatilidade. O falso rompimento consiste na ultrapassagem, por parte dos preços, da congestão e, poucos dias depois, o ativo volta negociar sob o ponto de entrada, como no exemplo abaixo:

Para evitar este tipo de situação, é importante acompanhar o volume atrelado ao rompimento para filtrar o movimento dos preços, assim como também é eficiente esperar o rompimento da máxima do candle que ultrapassou a congestão, havendo, neste caso, uma perda parcial da volatilidade em troca:

Outro problema enfrentado neste tipo de operação é quando as Bandas de Bollinger explodem, como no primeiro exemplo deste tópico, e os preços não apresentam a volatilidade esperada por conta do rompimento. Neste caso, os indicadores True Range e BandW terão uma função especial, pois apontarão a força implícita da volatilidade no momento do rompimento.

Portanto, neste tipo de operação, o trader deve confirmar a explosão das Bandas de Bollinger pelo volume e através dos indicadores técnicos, critérios valiosos para não ser stopado a toda hora.

E para aqueles que não estão dispostos a criar um setup deste tipo, mas sim operar a confirmação de uma nova tendência, fica a dica de acompanhar a explosão das Bandas de Bollinger para identificar novos movimentos de preços e monitorar o ativo até que firme topos e fundos ascendentes ou descendentes.

 

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