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Manejo de risco: a volatilidade como principal aliada do seu stop loss

Posicione-se melhor no mercado e fuja do "violino" utilizando o ATR; SAR e médias móveis também entram na roda de discussão

SÃO PAULO - Como prometido, o “Manejo de Risco” abordará neste artigo as técnicas de Trailing Stop para operações de curto prazo - stops que acompanham a variação dos preços de uma distância calculada através de um indicador técnico -, com enfoque especial no SAR (Stop and Reverse) e ATR (Average True Range).

Mas antes de começar a falar das alternativas pouco conhecidas por grande parte dos investidores, não podemos esquecer de citar as médias móveis, rotineiramente utilizada como Trailing Stop pelos traders.

A média móvel pode ser considerada um dos indicadores técnicos mais antigos e difundidos no universo da análise técnica. Seu propósito é tirar uma média dos preços de um determinado ativo, em um determinado período, transportando-a esta informação no gráfico através de uma linha contínua.

Como acompanha a tendência do preço, o indicador pode ser vinculado a um stop móvel sozinho, ou pelo cruzamento de uma média móvel menor diante uma média maior - 5 períodos cruzando a de 10 períodos, por exemplo. Mas, justamente por esta característica (seguir a tendência), a média móvel pode deixar o investidor na mão.

Por estar “colada” ao preço, a média móvel está muito suscetível aos ruídos do mercado, o famoso “efeito violino”, além de indicar inúmeras entradas e saídas, impactando diretamente no montante a ser pago de corretagem. Lembrando que estamos tratando de operações de curtíssimo prazo e curto prazo.

O pai dos indicadores técnicos
Em busca de novos métodos, os traders - em especial os norte-americanos - foram à caça de um oscilador mais estável e que não apresentassem tantos movimentos falsos. Até que em 1978, o engenheiro mecânico Welles Wilder lançou o livro “New Concepts in Technical Trading Systems”, revolucionando o universo dos indicadores técnicos.

Em sua obra clássica, Wilder desenvolveu quatro indicadores importantíssimos utilizados até hoje: IFR (Índice de Força Relativa), ADX (Average Directional Index), ATR e SAR.

Os dois primeiros dispensam apresentações, utilizados com frequência pelos traders brasileiros para indicar se o mercado está sobrecomprado ou sobrevendido, e para medir quão intensa é a tendência, respectivamente.

Como dito no primeiro parágrafo, o foco deste artigo é intercalar um Trailing Stop mais eficiente com a utilização do SAR e do ATR. Então vamos ao trabalho!

Stop and Reverse
O Parabólico SAR, ou simplesmente SAR, é calculado pela mescla entre as variações do preço, como qualquer indicador de tendência, mas com a diferença de considerar em sua fórmula a variável tempo.

Uma vez definida uma tendência para o ativo(alta ou baixa), o SAR acompanhará o preço imediatamente abaixo, mas, diferentemente da média móvel, a variável tempo servirá como um fator de aceleração, aproximando o SAR conforme a velocidade de valorização ou desvalorização do preço. O gráfico demonstra a funcionalidade do indicador, utilizando o Ibovespa como exemplo:

*Fonte: StockCharts

A regra para o stop móvel é bem simples: se o SAR estiver abaixo do preço, a sinalização é de manutenção da posição comprada, ao passo que, se o SAR estiver acima do preço, o sinal é de venda.

A vantagem de utilizar o SAR em tendência é que o indicador seguirá o movimento dos preços sem influenciar por possíveis correções esporádicas, protegendo o lucro do trader na ponta compradora, como na vendedora.

Já a principal desvantagem do SAR é que ele só funciona quando o ativo está em tendência, não sendo nada eficiente em casos de congestão. Para auxiliar neste problema, Wilder desenvolveu o ADX, interação subjetiva que não é objeto deste artigo.

Average True Range
Além de chamar a atenção da importância do Money Management, o professor Van K. Tharp sugere em seu livro “Trade Your Way to Financial Freedom” a utilização do ATR como uma melhor alternativa de stop. Segundo Tharp, o trader terá com o ATR um bom parâmetro de stop além dos ruídos do mercado, fugindo do “efeito violino”.

Diferentemente de qualquer método já apresentado, este Trailing Stop é calculado com base na medida de volatilidade do ativo no período, ou seja, quando há maior volatilidade, o stop irá se manter mais afastado do preço, enquanto em momentos de menor volatilidade, o Trailing Stop encurtará automaticamente sua distância, explica Rogério Passos, da OperAção Consultoria e Treinamento.

Seu cálculo é composto por duas fases. A primeira parte é o cálculo do TR (True Range), correspondente à volatilidade do ativo. Para isso, Wilder considerou três possibilidades:

A. Diferença entre a máxima e a mínima de hoje;
B. Diferença do fechamento do dia anterior em relação à máxima de hoje;
C. Diferença do fechamento do dia anterior em relação à mínima de hoje;

Considerando todos os valores em módulo (absolutos), já que estamos medindo a distância entre pontos, calculam-se as diferenças e pega-se o maior valor entre os três. Este será o seu TR do dia.

Grande parte das plataformas que disponibilizam o indicador calculam-no baseado na variação de 14 períodos, neste caso 14 TRs. Portanto, para encontrar o ATR, basta somar os 14 valores de True Range e dividi-los por 14, encontrando assim a média (Average) e, por consequencia, o ATR (stop loss da operação). Vale lembrar que o período pode alterado pelo trader, a depender de sua estratégia.

Volatilidade e tendência

*Fonte: StockCharts

O gráfico do Ibovespa entre agosto do ano passado e julho deste ano mostra que a volatilidade do mercado está ligada aos movimentos de queda do mercado. “Períodos em tendência suave apresentam usualmente menor ATR, enquanto o aumento dos níveis de ATR normalmente marca iminência de reversão ou explosão de movimento”, explica Passos sobre a dinâmica.

Isto explica o diferencial do ATR como stop loss, pois em tendência de alta, o indicador reportará baixos valores, evitando que o trader saia prematuramente da operação. Já em caso de reversão, ele irá atingir níveis cada vez mais altos e a operação será stopada.

Apesar desta vantagem, ainda precisamos fazer um ajuste final para utilizá-lo como um stop loss móvel, para que os pontos de stop não caminham livremente pelo gráfico conforme as mínimas dos candles, já que o stop loss será jogado sempre abaixo e nunca seremos stopados.

O ajuste final
Para corrigir tal falha é preciso definir o que os traders que utilizam esta técnica como N, que seria uma espécie de desvio do ATR. Se o ATR for, por exemplo, de R$ 0,60, podemos utilizar 2N como stop, ou seja, R$ 1,20.

Através deste método, o trader conseguirá manejar seu stop sempre em linha com o avanço dos preços, com seu Trailing Stop fazendo realmente sua função – acompanhar a variação dos preços de uma distância previamente calculada.

Uma das combinações utilizadas pelos traders é um ATR de 2N, auxiliado por um período de 20 dias, como representado no gráfico diário através dos papéis preferenciais classe A da Vale (VALE5):

*Fonte: Nelogica

Apesar da sugestão do trader norte-americano de utilizar o ATR como stop loss, o trader deve identificar suas necessidades e adequar sempre o melhor stop em função da sua estratégia, sendo ele percentual ou por volatilidade. O importante aqui é desenvolver uma ferramenta eficiente para a sua necessidade, portanto faça simulações e encontre a melhor alternativa!

 

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