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Eleve lucros e reduza perdas em day trades com um bom manejo de risco

Consultor compara os métodos Martingale e Antimartingale; antes de ler, responda: como você reage frente ao risco?

SÃO PAULO - A popularização do mercado financeiro e o avanço tecnológico do Home Broker nos últimos tempos abriram caminho para diversas estratégias de negociação mais dinâmicas, desde os algotraders (programas que avaliam milhares de variáveis e exercem a operação em nanosegundos) aos clássicos swing traders e day traders, mais conhecidos do investidor pessoa física.

Independente da estratégia utilizada, o investidor deve ficar atento à evolução do seu patrimônio e adaptar métodos para proteger seu capital. Depois de apresentar o f% (Fixed Fraction Exposure), sistema de manejo de risco que procura identificar qual o melhor percentual do capital total que devemos utilizar em cada operação, o projeto “Manejo de Risco” discute agora os métodos Martingale e Antimartingale.

Apesar de antigas, as duas teorias de administração de portfólio são úteis para os traders mais ativos, pois são essencialmente fundamentadas no lucro ou prejuízo de cada operação.

Preferência em relação ao risco
Antes de iniciar a explicação sobre cada método, reflita sobre esta questão: como você reage frente ao risco ao investir? Você é majoritariamente avesso ao risco ou propenso ao risco?

As perguntas são pertinentes quanto estamos falando de manejo de risco e abre um leque de discussão dentro do mundo de finanças. Quando o investidor resolve assumir uma posição no mercado financeiro, esbarra na incerteza relativa às expectativas de ganhos e perdas futuras, o que torna a tomada de decisão cercada de complexidade.

Tradicionalmente, assume-se que os indivíduos fazem escolhas racionais e maximizam suas preferências à luz da Teoria de Utilidade Esperada*, mas as prospecções falhas dos indivíduos expostas ao longo dos séculos 19 e 20, como as bolhas de mercado, abriram espaço para uma nova análise do agente econômico, visando incorporar aspectos psicológicos.

Em 1979, por meio do artigo Prospect Theory: an analysis of decision under risk, Daniel Kahneman e Amos Tversky formularam a Teoria da Perspectiva, a fim de englobar os fenômenos psicológicos que influenciam o agente econômico ao tomar uma decisão.

Ao contrário do postulado na Teoria de Utilidade Esperada, os autores concluíram que a função utilidade dos agentes econômicos é côncava para ganhos e convexa para perdas, ou seja, os agentes colocam duas vezes mais peso às perdas em relação aos ganhos.

Relação com Martingale
A teoria defendida pelos economistas comportamentais sugere que os agentes econômicos procuram, no âmbito das perdas, se exporem às opções de risco para recuperar os prejuízos computados na escolha ao invés de aceitar uma perda de menor magnitude e com maior probabilidade. Intuitivamente, os agentes econômicos são avessos ao risco quando estão lidando com ganhos, ao passo que buscam risco quando há possibilidade de perda.

Predizendo o fato, o método Martingale baseia-se na impossibilidade de uma série infinita de eventos perdedores, ou seja, “quanto maior as perdas consecutivas, maior será a probabilidade de ganhos na próxima aposta”, explica Christian Cayre, consultor do CHR Investor.

Tendo como pressuposto que os movimentos do mercado financeiro são totalmente aleatórios, o Martingale pode levar, por exemplo, o day trader à falência por esta estratégia, como mostra a tabela com investimento de 1% do capital total em cada operação:

Apesar de existir também a probabilidade de ganho em meio aos trades feitos, o método Martingale não busca diminuir o risco da operação, mas elevar o risco em função dos trades perdedores, o que não faz sentido.

Em resposta a está incógnita, fora desenvolvido o Antimartingale. Neste caso, o investidor diminuirá sua exposição ao risco após um prejuízo e elevará em caso de um trade vencedor.

Antimartingale
Para entender melhor a diferença entre os dois métodos, suponha que um day trader com capital inicial total de R$ 30.000 executou seus trades com stop gain de 3% e stop loss de 1,5%, sendo uma simulação que o trader lucra dois trades e registra prejuízo no trade seguinte. Pelo método Martingale ele chegaria a este resultado:


Pelo Antimartingale, o trader elevará sua exposição em 5% caso obtenha um trade lucrativo, assim como diminuirá sua exposição ao mercado em 5% ao primeiro trade com prejuízo. Neste caso, o resultado foi o seguinte:

Resultado final
Na comparação entre os dois métodos, é possível visualizar três vantagens básicas do Antimartingale:

1º - Menor exposição ao risco em razão ao lucro auferido
2º - Maior tempo no mercado
3º - Lucro maior ao final do processo

Apesar da simulação estar a favor do trader, uma vez que a proporção é de 2 trades lucrativos para 1 com prejuízo, o sistema Antimartingale mostrou-se mais adequado para estratégia de manejo de risco. Contudo, o percentual de 5% é a melhor razão para o investimento em questão?

Para responder tal pergunta, o consultor do CHR Investor recorrerá à fórmula de Kelly, que “ajudará a encontrar o percentual ótimo de capital a investir”. Assunto que será tratado no próximo “Manejo de Risco”.

*VON NEUMANN, John; MORGENSTERN, Oskar. Theory of games and economic behavior. New Jersey: Princeton University Press. 1944 [1980]

 

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