Varejo se junta a outros indicadores fracos e reforça projeções de ligeira contração do PIB no 4º tri

Crédito restritivo e endividamento das famílias têm freado impulsos da desinflação e da renda maior, dizem economistas

Roberto de Lira

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Os dados fracos da atividade econômica em outubro divulgados pelo IBGE – a indústria andou praticamente de lado mês (+0,1%), enquanto os serviços recuaram 0,6% e as vendas no varejo tiveram retração de 0,3% – reforçam projeções de economistas de que o PIB do último trimestre de 2023 devem mostrar uma ligeira contração.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, comenta que os indicadores antecedentes tano para o varejo restrito como para o ampliado indicavam uma expansão maior nas vendas o que não se confirmou. Ela pondera que o setor de atacarejo, que passou a integrar a pesquisa do IBGE neste ano, segue trazendo volatilidade para os resultados.

“Depois do resultado do comércio em outubro, revisamos nossa projeção de crescimento do varejo ampliado de 3,0% para 2,5% em 2023. Acreditamos que o comércio deve seguir em ritmo lento até o final do ano”, analisa

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Ela acrescenta que o desempenho abaixo do esperado tanto do comércio quanto de serviços corrobora a visão de uma desaceleração da atividade no segundo semestre e aumenta a chance de PIB no último trimestre do ano. “Projetamos um PIB com expansão ligeiramente abaixo de 3% em 2023 e de 1,5% para 2024”, prevê.

A XP Investimentos comenta em seu boletim XP Macro que as condições de crédito ainda restritivas e o alto endividamento das famílias continuam a pesar sobre o consumo. Isso enquanto os impulsos gerados pelo alívio na inflação, especialmente nos preços dos alimentos, e da expansão da renda do trabalho devem se mostrar mais moderados daqui para frente.

“Continuamos a prever menor dinamismo para o consumo nos próximos meses. O XP Tracker para o PIB do 4º trimestre aponta para ligeira queda de 0,1% em comparação ao 3º trimestre. E um aumento de aumento de 2,0% em relação ao 4° trimestre de 202”, projeta.

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João Savignon, chefe de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital, pondera que a heterogeneidade entre as atividades de varejo pesquisadas e as frequentes revisões trazem maior dificuldade em se analisar corretamente o desempenho do setor. Mas que, observando os dados em uma perspectiva um pouco mais longa, a avaliação é de estabilidade do comercio varejista.

“Comparado ao nível pré-pandemia, o varejo ampliado está apenas 1,0% acima. Mas quando olhamos o seu pico (de agosto de 2012), está 5,0% abaixo.”

Para ele, é possível dizer que há uma perda de folego da atividade no curto prazo, mas não para atestar que há uma tendência de queda do comércio nos próximos meses. “As perspectivas continuam desafiadoras, mas alguns elementos nos fazem acreditar em um cenário mais de estabilidade no índice geral do que de queda”, afirma.

Ele cita entre esses fatores os efeitos do programa de renegociação de dívidas “Desenrola” começando a aparecer, assim como a manutenção do mercado de trabalho apertado. Savignon também cita o processo de desinflação, que segue em curso junto com o afrouxamento das condições monetárias pelo Banco Central.

Ainda assim, com as surpresas de ontem dos serviços e desta quinta-feira no comércio ampliado, o tracking da Kínitro para o 4º trimestre de 2023 passou a indicar ligeira queda no período, de 0,1%na comparação trimestral e um crescimento de 2,0% na anual.

A avaliação do Bradesco é que o último trimestre do ano começou mais fraco do que o esperado, tanto no varejo como no setor de serviços. No entanto, a Pesquisa Empresarial interna do banco aponta para uma recuperação nos meses de novembro e dezembro.

Já Igor Cadilhac, economista do PicPay, comenta que o varejo pode voltar para o campo positivo até o final do ano. “Novembro, por exemplo, pode ser beneficiado pela melhora da Black Friday ante 2022”, cita, lembrando levantamentos sobre a data de descontos que apontaram para boas vendas de cosméticos e itens de Higiene Pessoal. Para dezembro, as festas de fim de ano também podem ajudar.

“Para 2024, o avanço da renda real e a redução no comprometimento de renda e na inadimplência devem contrabalançar um juro real ainda elevado. Com todos os setores da atividade econômica apresentando variações tímidas na margem, o IBC-Br deve apresentar um recuo de 0,5% em outubro”, estima.