Vendas no varejo caem 0,3% em outubro, pior que o esperado, informa o IBGE

Consenso Refinitiv projetava crescimento de 0,2% nas vendas no mês; setor ainda acumula alta de 1,6% no ano e de 1,5% em 12 meses

Roberto de Lira

Shopping Center (Pixabay)

Publicidade

O volume de vendas do comércio varejista no Brasil caiu 0,3% em outubro, após ter avançado 0,5% em setembro (dado revisado para baixo, de 0,6% anterior), segundo dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com setembro de 2022, houve alta de 0,2% nas vendas, no quinto crescimento consecutivo do indicador.

O consenso Refinitiv projetava crescimento de 0,2% nas vendas no mês e estimava avanço de 1,76% na comparação anual.

O setor acumula alta de 1,6% no ano e de 1,5% em 12 meses. O varejo nacional opera 4,4% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, e 2,0% abaixo do maior nível da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

Masterclass

As Ações mais Promissoras da Bolsa

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de valorização para os próximos meses e anos, e assista a uma aula gratuita

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

No comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas recuou 0,4% ante setembro.

A média móvel trimestral para o varejo ampliado foi de 0,1% no trimestre encerrado em outubro de 2023. Na série sem ajuste sazonal, o varejo ampliado cresceu 2,5% frente a outubro de 2022, oitavo resultado positivo consecutivo. O acumulado no ano foi de 2,4%, e, em doze meses, de 1,8%.

Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE, comentou em nota que as variações estão muito próximas a zero desde fevereiro, ficando na leitura da estabilidade em todos os meses exceto março (0,7%), maio (-0,6%) e julho (0,7%).

Continua depois da publicidade

“Isso mostra um retorno ao comportamento anterior a 2020, após as variações mais acentuadas que observamos no período de pandemia, com números ainda mais tímidos do que o padrão pré-covid. Mas, num cenário de médio prazo, a perspectiva está positiva, com crescimento nos acumulados do ano e em 12 meses”, analisou.

Atividades

A variação de -0,3% no volume de vendas do comércio varejista restrito na passagem de setembro para outubro teve predominância de taxas negativas, atingindo cinco das oito atividades pesquisadas.

A atividade de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação teve queda de -5,7% no mês, seguida por Tecidos, vestuário e calçados (-1,9%), Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,8%), Combustíveis e lubrificantes (-0,7%) e Móveis e eletrodomésticos (-0,1%).

Por outro lado, outros três grupamentos pesquisados mostraram alta: Livros, jornais, revistas e papelaria (2,8%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,4%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,2%).

“A atividade que puxou mais para baixo foi a de Equipamentos e material para escritório, mas também tivemos atividades de maior peso como Hiper e supermercados e Combustíveis puxando para baixo. Já no campo positivo, o que influenciou para cima foi a atividade de Artigos farmacêuticos. A atividade de Livros e jornais teve uma variação mais alta, mas tem pouco peso”, explico o gerente da pesquisa.

O comércio varejista ampliado apresentou dois resultados positivos: Veículos e motos, partes e peças, com 0,3%, e Material de construção, com 2,8%.

Comparação anual

No confronto entre outubro de 2023 e outubro de 2022, o comércio varejista apresentou seis setores com resultados negativos: Combustíveis e lubrificantes (-9,5%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-8,4%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,8%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-4,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-3,4%) e Móveis e eletrodomésticos (-0,4%).

As duas atividades que apresentaram crescimento foram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (9,2%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,9%).

Incluindo as atividades do varejo ampliado, Veículos e motos, partes e peças teve resultado de 10,5%, Material de construção cresceu 6,4% e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo teve alta de 8,8% em relação a outubro de 2022.

Regiões

Em termos regionais, o comércio varejista apresentou resultados negativos em 17 das 27 unidades da federação, com destaque para o Rio de Janeiro (-2,0%), Santa Catarina (-1,4%) e Mato Grosso do Sul (-1,3%).

Por outro lado, pressionando positivamente, figuram 10 estados, com destaque para Maranhão (3,1%), Bahia (1,9%) e Tocantins (1,9%).

Na mesma comparação, no comércio varejista ampliado, a variação entre setembro e outubro teve resultados negativos em 11 das 27 unidades da federação, com destaque para: Mato Grosso do Sul (-2,4%), Rio de Janeiro (-2,3%) e São Paulo (-1,9%).

No lado positivo figuram 14 estados, com destaque para Rondônia (4,3%), Pernambuco (3,8%) e Tocantins (2,4%). Rio Grande do Norte e Mato Grosso apresentaram estabilidade (0,0%) na passagem de setembro para outubro.

Ante outubro de 2022, o volume de vendas do comércio varejista mostrou resultados positivos em 11 das 27 unidades da federação. Destacaram-se Tocantins (12,6%), Maranhão (10,1%) e Ceará (9,1%).

Pressionando negativamente aparecem 15 estados, destacando-se Paraíba (-21,8%), Amapá (-13,7%) e Roraima (-7,5%). São Paulo apresentou estabilidade (0,0%) na comparação interanual.

Já no comércio varejista ampliado, o indicador interanual apresentou resultados positivos em 16 das 27 unidades da federação, com destaque para: Maranhão (19,5%), Ceará (13,0%) e Espírito Santo (9,9%).

Pelo lado das quedas, aparecem 11 estados, com destaque para Paraíba (-12,8%), Mato Grosso do Sul (-12,6%) e Roraima (-11,7%).