Trump pressiona Powell por corte de 1 ponto nos juros: “Combustível de foguete!”

Presidente dos EUA cobra ação do Fed mesmo após relatório de emprego superar projeções de mercado

Paulo Barros

Publicidade

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar publicamente o Federal Reserve nesta sexta-feira (6) por um corte agressivo na taxa de juros, apesar da divulgação de dados de emprego mais fortes que o esperado.

“Vá para um ponto completo, combustível de foguete!”, escreveu Trump na rede Truth Social, referindo-se ao presidente do Fed, Jerome Powell, ao qual voltou a chamar de “Sr Tarde Demais”.

A publicação foi feita pouco depois de o Departamento do Trabalho divulgar que a economia dos EUA criou 139 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em maio, superando a estimativa de 130 mil do consenso de analistas compilado pela Reuters. O número do chamado payroll, no entanto, ficou abaixo do dado revisado de abril, de 147 mil vagas.

Trump defendeu que o corte de um ponto percentual nas taxas ajudaria a reduzir os custos da dívida de curto e longo prazo do país. “Praticamente não há inflação (mais), e mesmo que a inflação volte a subir, Powell pode simplesmente aumentar os juros novamente”, afirmou o presidente. “Muito simples!!!”.

O pedido faz parte de uma série de críticas que Trump tem feito de forma recorrente ao chefe do banco central norte-americano, frequentemente o acusando de agir tarde demais e de dificultar o desempenho econômico.

“Ele está custando uma fortuna ao nosso país. Os custos dos empréstimos deveriam ser MUITO MENORES!!!”, escreveu.

O movimento ocorre em meio a sinais mistos da economia americana e à persistência das tensões entre a Casa Branca e o Fed, em um contexto que analistas vinham avaliando como de possível desaceleração, agravado pela guerra comercial de Trump.

Em Wall Street, os principais índices abriram em alta após a divulgação do payroll, mas analistas alertam que ainda há muitas incertas no horizonte, e que a economia ainda apresenta sinais de força apesar do recuo na criação de vagas.

Tópicos relacionados

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos