Tensão entre os gigantes

Trump diz que está cortando relações com OMS e faz duras críticas à China, mas não menciona acordo comercial

Presidente americano também acusou a China de estar à frente das decisões da Organização Mundial da Saúde

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com fundo preto, gesticulando durante comício
(Shutterstock)
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SÃO PAULO – Em um rápido discurso de cerca de dez minutos, o presidente dos EUA Donald Trump voltou a adotar um tom bastante duro sobre a China nesta sexta-feira (29), culpando novamente o gigante asiático pela crise com a pandemia da Covid-19. “O mundo precisa de respostas da China sobre o coronavírus ”, disse o presidente.

Trump também acusou a China de estar à frente das decisões da Organização Mundial da Saúde (OMS) e afirmou que está encerrando relações com a Organização, mas não detalhou esse rompimento com a OMS, apontando apenas que vai realocar o financiamento retirado há algumas semanas para outras iniciativas.

De acordo com o presidente americano, a OMS foi “pressionada” pela China a dar direcionamentos errados ao mundo sobre o novo coronavírus. “O mundo está sofrendo agora como resultado dos malfeitos do governo chinês”, destacou.

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Ele apontou ainda que a sua administração está de olho nas práticas financeiras “diferentes” praticadas do gigante asiático nos EUA.

Além disso, o norte-americano disse que as leis sobre segurança de Hong Kong aprovadas pelo governo chinês levarão à retirada do tratamento especial dado pelos EUA ao território então considerado autônomo. Trump ainda prometeu impor sanções aos políticos de Hong Kong que permitiram que a diminuição da autonomia ocorresse.

Contudo, uma vez que, como esperado, ele não fez anúncio sobre mudanças no acordo comercial com a China, os investidores se animaram e, de queda forte, as bolsas americanas e o Ibovespa diminuíram as perdas.

O anúncio sobre a China é em resposta à aprovação na última quinta-feira (28), pelo Congresso Nacional do Povo, o ramo legislativo do Parlamento chinês, da polêmica lei de segurança nacional para Hong Kong.

Críticos do projeto chinês dizem que a decisão vai, basicamente, mudar a condição do território semiautônomo, tirando as liberdades dos moradores e enfraquecendo o governo local. Além disso, acusam Pequim de tomar a decisão pelo temor de ser derrotada pelos candidatos opositores em Hong Kong na próxima eleição.

Mais cedo, seu principal assessor econômico, Larry Kudlow, disse que os EUA estão “furiosos” com o que a China fez “nos últimos dias, semanas e meses”, em entrevista à Fox News.

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A expectativa pela fala do presidente americano era alta em meio às tensões entre os dois países. Durante a tarde, as bolsas chegaram a acelerar as perdas com as notícias de que os EUA estudavam sanções ao setor financeiro chinês. Contudo, logo diminuíram as perdas em meio à notícia da Bloomberg de que Trump não iria abandonar a primeira fase do acordo comercial com a China, sinalizando que as nações separariam as questões comerciais das demais tensões geopolíticas, o que foi confirmado com a fala do presidente posteriormente.

 

 

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