Os 3 testes fiscais que Lula terá de passar para recuperar o mercado, segundo UBS

Banco diz que investidores devem exigir medidas concretas, compatibilização de R$ 300 bilhões em compromissos de campanha e capacidade de aprovação no Congresso

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A política fiscal deve ser um dos principais testes para o novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo o UBS. Para o banco, investidores devem buscar sinais claros e críveis de disciplina nas contas públicas antes de uma melhora mais consistente na percepção sobre os ativos brasileiros.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), o UBS aponta três condições para que investidores aceitem um novo arcabouço fiscal e para que o sentimento em relação ao Brasil se estabilize.

O desafio, segundo o banco, ocorre em um momento em que a dívida pública está acima de 80% do PIB e o déficit fiscal roda próximo de 10% do PIB, em parte devido ao custo da dívida com juros de dois dígitos.

Além disso, o UBS afirma que os gastos relacionados à eleição tornaram o ponto de partida do novo governo mais desafiador.

1. Pacote fiscal com números concretos

O primeiro teste será a apresentação de um pacote de consolidação fiscal com medidas quantificadas.

Na avaliação do UBS, declarações de intenção não serão suficientes. O mercado deve buscar medidas concretas que permitam avaliar a dimensão e a credibilidade do ajuste proposto pelo governo.

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2. Conciliar R$ 300 bilhões em compromissos de campanha

O segundo ponto envolve os compromissos de gastos assumidos durante a campanha.

O UBS estima esses compromissos em cerca de R$ 300 bilhões e afirma que eles precisarão ser conciliados com o esforço de ajuste fiscal.

Segundo o banco, os gastos adicionados durante a campanha atuam na direção contrária à consolidação das contas públicas e, por isso, precisarão ser compensados dentro do pacote fiscal.

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3. Mostrar capacidade de aprovar medidas no Congresso

O terceiro teste será político.

O UBS considera necessária uma trajetória crível para aprovação das medidas em um Congresso de inclinação à direita antes do fim do ano.

Sem essa aprovação, o pacote fiscal permaneceria apenas como uma sinalização, segundo o relatório.

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O banco avalia que a composição do Congresso também pode funcionar como um limite à atuação do Executivo, reduzindo o risco de uma deterioração mais profunda das contas públicas.

Mercado deve esperar novas evidências

Para o UBS, a responsabilidade de demonstrar uma mudança na trajetória fiscal está agora com o governo.

O banco avalia que investidores podem permanecer cautelosos e aguardar novas evidências do ministro da Fazenda e da política econômica antes de reprecificar os ativos brasileiros com base em uma eventual correção da trajetória do déficit orçamentário.

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Nesse cenário, a credibilidade fiscal será determinante para a evolução da Bolsa, do real e dos juros após a eleição, conforme o banco.

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Rodrigo Petry
Mercados | Economia | Onde Investir

Rodrigo Petry é coordenador editorial do InfoMoney e jornalista desde 2002. Atua principalmente na cobertura de mercados financeiros, com foco em Bolsa, ações, análise técnica, fluxo de investidores e derivativos. Está à frente do IM Trader, projeto do InfoMoney voltado à cobertura de trading, com análises de ações, índices, dólar e opções. No InfoMoney, também atua no desenvolvimento de projetos editoriais e branded content. Ao longo da carreira, teve passagens pelo Broadcast/Agência Estado, EQI Investimentos, revista Capital Aberto e jornal DCI, além de experiência em comunicação corporativa e pública.