Todos tentam compreender como será a ‘ultima milha’ da inflação, diz Campos Neto

Em entrevista à rede CNBC, presidente do BC afirmou que Brasil conseguiu uma razoável convergência da inflação à meta, com muito pouco custo para a sociedade

Estadão Conteúdo

Presidente do BC, Roberto Campos Neto  - 07/06/2023 REUTERS/Ueslei Marcelino
Presidente do BC, Roberto Campos Neto - 07/06/2023 REUTERS/Ueslei Marcelino

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse na noite de quarta-feira (17) que a “última milha ou milhas” no combate à inflação, ao fim do dia, tem processos similares em diferentes lugares. “Em muitos lugares tem havido processo desinflacionário acompanhado por pleno emprego, uma combinação que não corre com muita frequência”, disse Campos Neto em entrevista à rede americana CNBC.

Para ele, todos estão tentando compreender como será essa ‘última milha’. “O mercado de trabalho continua apertado e ainda há muitos estímulos fiscais por aí. Muitos lugares estão olhando para as mesmas variáveis”, analisou.

Ainda segundo Campos Neto, no caso do Brasil, houve um resultado melhor na mais recente leitura de inflação. “Dada a história, a tradição de inflação que se tem no País, conseguimos uma razoável convergência, com muito pouco custo para a sociedade”, acrescentou.

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“O crescimento econômico tem sido revisado para cima, os mercados de crédito estão voltando a crescer também, o mercado de trabalho vai bem – e a inflação, ainda assim, está convergindo para a meta”, disse Campos Neto.

Taxa de juros neutra no Brasil é mais alta

Campos Neto disse que se olha muito para as taxas nominais e para as taxas de juros reais, mas é preciso levar em conta o fato de a taxa de juros neutra {aquela que não acelera, nem desacelera a atividade econômica] no Brasil ser mais alta. “Para a política monetária, o que importa não é a taxa real que se tem, mas a diferença entre a sua taxa de juros neutra e a taxa de juros real que se tem no momento”, explicou.

“Quando olhamos para isso, nosso ‘gap’, nossa diferença é maior do que a se tem na maioria dos países da América Latina. E por que isso? Porque nossa taxa de juros neutra é mais alta do que a da maioria dos outros países”, disse Campos Neto.

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“Quando pensamos no que acontece com as taxas no longo prazo, precisamos desenhar políticas que tragam a taxa estrutural para baixo, a taxa de juros neutra”, acrescentou o presidente do BC.

Política fiscal

O presidente do BC comentou ainda que, quando a credibilidade da política fiscal do país é afetada, o custo da política monetária é mais alto, voltando a afirmar que será necessário avaliar os efeitos do afrouxamento das metas para as contas públicas sobre variáveis que influenciam o trabalho da autarquia.

Na entrevista, Campos Neto afirmou que a percepção do mercado de que os Estados Unidos irão cortar menos os juros do que o esperado anteriormente gerou uma reprecificação do câmbio. Para ele, porém, o Brasil está hoje com fluxo de recursos mais forte e, portanto, mais bem preparado nessa área do que no passado.

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Ele afirmou que a convergência da inflação no Brasil está em linha com o que o BC esperava, mas ponderou que inflação de serviços está ainda rodando em patamar elevado.

(Com Reuters)