Tensão política cresce no Peru e presidente Dina Boluarte sugere antecipar eleições para 2024

Protestos pedindo novas eleições explodem em todo o país, com rodovias bloqueadas; um aeroporto regional e uma universidade foram ocupados

Roberto de Lira

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A situação política no Peru continua tensa, dias após os presidente Pedro Castillo ser deposto pelo Congresso Nacional por tentar um golpe de Estado. Sua vice, a advogada Dina Boluarte, que assumiu poder na quarta-feira (7) anunciou na noite de ontem em rede nacional, que vai propor aos parlamentares um acordo para antecipar as eleições para 2024 – ela deveria ficar no cargo até 2026.

O aceno de Boluarte se deu após dias de protestos, greves e bloqueios de rodovias por todo o país, que foram reprimidos pela Polícia Nacional. Ao menos duas mortes, de dois jovens, foram confirmadas pelas autoridades.

“Interpretando da forma mais ampla a vontade dos cidadãos e consequentemente da responsabilidade que o exercício da ação do governo implica, decidi tomar a iniciativa de chegar a um acordo com o Congresso da República e adiantar as eleições gerais para o mês de abril de 2024″, disse a presidente.

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O apelo por unidade feito por Boluarte pode ser insuficiente. Os protestos na região de Andahuaylas (onde ocorreram as mortes), Arequipa e até na capital Lima envolvem apoiadores de Castillo, que alegam ter havido um golpe de direita e exigem sua libertação e a adoção de eleições gerais imediatamente.

Enquanto isso, Jaime Quito, um dos líderes do partido esquerdista Libre Peru, afirmou que o Congresso atual deveria dar lugar a uma assembleia constituinte, tese que já foi refutada neste ano.

Rodovias bloqueadas

Nos extremos norte e sul do país, seguem os protestos. O jornal La Republica informa que permanece nesta segunda-feira o bloqueio da rodovia Panamericana Sur, com manifestantes de Arequipa colocando pedras na entrada do bairro de La Joya .

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Na Panamericana Norte, dezenas de veículos pesados ​​e ônibus estão presos em Trujillo. Ontem à noite, manifestantes atearam fogo em pneus no meio da via e policiais foram ao local para tentar desobstruir a estrada.  Um estado de emergência foi declarado Ica, Apurímac e Arequipa.

Durante a madrugada estudantes da Universidade Nacional de Cajamarca ocuparam o prédio principal, também exigindo eleições gerais antecipadas e reforma política. Outros manifestantes tomaram o aeroporto regional de Andahuaylas, em Apurímac, colocando fogo em alguns armazéns.