Dados do Imperial College

Taxa de contágio fica menor que 1,0 e pandemia no Brasil pode estar desacelerando

A taxa de contágio indica para quantas pessoas, em média, cada infectado transmite o vírus. Quanto mais próximo de zero, mais desacelerado é o contágio

mask for prevention of respiratory diseases, with the American flag painted. US pandemic concept. North america corona virus, risk of epidemic.
(RHJ/Getty Images)
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SÃO PAULO – De acordo com os dados apresentados pelo o centro de controle de epidemias do Imperial College, universidade britânica que monitora a taxa de contágio do coronavírus em diversos países, a transmissão do coronavírus no Brasil está desacelerando.

Segundo a universidade, a taxa de contágio brasileira, coeficiente que indica para quantas pessoas em média cada infectado transmite o vírus, foi calculada em 0,98 na semana que começou no domingo (16). Essa é a primeira vez desde abril que o resultado aponta para um número menor do que 1.

Quanto menor for a taxa de contágio, menor é a velocidade de contágio do vírus. Com a taxa em 0,98 no Brasil, o cenário é de desaceleração, já que isso significa que cada 100 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus contagiam outras 98, que por sua vez passam o patógeno para 96, configurando uma progressão decrescente.

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A redução da taxa de contágio não significa que a situação brasileira seja de controle estabilizado de transmissão. O número aponta que o país pode estar no caminho certo para combater a doença. Porém, esse número pode voltar a subir.

Alguns países que conseguiram reduzir seus índices de contágio voltaram nesta semana a uma fase de aceleração. É o caso de Equador e Bolívia, que depois de passarem algumas semanas com a taxa de contágio menor que 1, registraram um aumento para 1,16 e 1,05, respectivamente.

Países da Europa, como França, Espanha e Rússia, também enfrentam alta na taxa de contágio, após passarem semanas com baixos índices de transmissão comunitária e flexibilizarem as medidas de isolamento social e distanciamento.

França e Espanha, que passaram pelo ápice da pandemia em meados de abril, podem vivenciar uma segunda onda de contágio, conforme a taxa de contágio desses países cresce.

Dos 68 países que foram acompanhados pelo Imperial College nesta última semana, apenas Brasil e Chile apresentaram uma taxa de transmissão abaixo de 1. A situação dos dois países, porém, é bem diferente.

Enquanto os chilenos chegam à sua oitava semana com contágio controlado, o Brasil deixa essa zona vermelha da epidemia depois de passar as últimas 16 semanas com uma taxa de transmissão maior que 1.

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Segundo o levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, o Brasil contabiliza 110.037 mortes por coronavírus desde o início da pandemia. Foram 1.365 nas últimas 24h.

Sobre os infectados, o total de brasileiros que foram infectados pelo novo coronavírus chegou a 3.411.872, com 48.637 novas confirmações entre ontem e hoje.

Segundo o Imperial College, a taxa de transmissão de um país é calculada com base no número de mortes reportadas, já que esse dado tende a ser menos sujeito a subnotificações do que o de casos registrados.

Como há uma defasagem entre o momento do contágio e a morte, mudanças nas políticas de combate à epidemia levam em média duas semanas para se refletirem nos cálculos.

O relatório do Imperial College ainda ressalta que essa é a primeira vez, também desde o fim de abril, que o Brasil deixou o pódio das estimativas de mortes semanais, lugar esse que é ocupado hoje pela Índia.

Para essa semana que se iniciou no domingo, são esperadas 7.200 mortes no país asiático e 6.910 no Brasil, uma queda em relação às 7.400 da semana anterior.

Os EUA não entram no relatório de estimativa de mortes, pois o Imperial College calcula os dados americanos por estado, em um estudo à parte.

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