Superávit da balança brasileira deve ficar entre US$ 72 bi e US$ 75 bi, diz FGV

Estimativa pressupõe que o conflito no Oriente Médio não se estenda para o segundo semestre do ano e que o presidente Donald Trump não traga novas surpresas para o cenário mundial

Roberto de Lira

Imagem de drone mostra conteineres no Porto de Santos, em Santos (SP)
03/04/2025 - (Foto: 
REUTERS/Amanda Perobelli)
Imagem de drone mostra conteineres no Porto de Santos, em Santos (SP) 03/04/2025 - (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

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O superávit da balança comercial do Brasil em 2026 deve ficar entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões, segundo projeção do FGV/Ibre no boletim do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) de abril. Segundo o estudo, essa estimativa pressupõe que o conflito no Oriente Médio não se estenda para o segundo semestre do ano e que o presidente Donald Trump não traga novas surpresas para o cenário mundial.

O Icomex destaca que o saldo da balança comercial de abril foi de US$ 10,5 bilhões, fazendo com que o superávit acumulado no ano chegasse a US$ 24,8 bilhões, valor US$ 7,5 bilhões superior ao de igual período de 2025.

Entre os principais parceiros no mês, registraram melhora no saldo comercial: a China, com ganho de US$ 7,3 bilhões, e a União Europeia, com ganho de US$ 1,4 bilhão.

Fonte:FGV/Ibre

O superávit com a China, de US$ 11,6 bilhões, representou 47% do superávit total da balança de janeiro a abril. Os Estados Unidos registraram aumento do déficit, de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,4 bilhão, enquanto, no caso da Argentina, o superávit reduziu de US$ 1,9 bilhão para US$ 815 milhões.

Na comparação do acumulado do ano até abril, as exportações para o Oriente Médio aumentaram 2,3% e as importações, 11,6%. Na comparação entre os meses de abril de 2025 e 2026, as exportações recuaram 3,5% e as importações, 1,0%.

“Nos próximos meses, os resultados mostrarão qual tendência deverá prevalecer, a depender do conflito na região. A guerra do Irã, além dos reflexos no mercado de petróleo mundial e no Brasil, tende a afetar as vendas brasileiras para a região, em especial de carnes de frango e bovina e de milho, além das compras de adubos, fertilizantes e óleos combustíveis”, diz o estudo do FGV/Ibre.

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Exportações em valor e volume

As exportações totais do Brasil aumentaram 14,3% e as importações, 6,2%, em valor, na comparação do mês de abril entre 2025 e 2026. Na comparação entre os acumulados do ano até abril, em valor, as variações foram de 9,2% para as exportações e 2,5% para as importações.

No acumulado do ano, a variação do volume superou o aumento dos preços nas exportações; já na comparação mensal, a variação dos preços, de 7,6%, superou a do volume, de 6,2%. No caso das importações, os preços subiram na comparação do acumulado, enquanto o volume recuou 0,4%. No mês de abril, preços (3,7%) e volume (2,5%) aumentaram.

O boletim destaca ainda que o comportamento dos preços das commodities influenciou o resultado global e o comércio com a China, em especial nas exportações. Os preços das commodities exportadas subiram 0,5% no acumulado até abril, mas, na comparação mensal de abril, o aumento foi de 7,6%.

Nas importações, o comportamento se repete em termos de tendência, mas os preços das commodities importadas aumentaram 40,2% em abril. Os preços dos produtos não commodities exportados aumentaram mais do que os dos produtos não commodities importados. Não está claro qual tendência irá predominar: o aumento nos preços das commodities exportadas ou das importadas.