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O governo da Suíça detalhou planos que podem acrescentar cerca de US$ 20 bilhões às necessidades de capital do UBS, ao mesmo tempo em que suaviza parte das mudanças regulatórias que vão atingir o maior banco do país.
As autoridades vão permitir que o UBS continue contabilizando ativos fiscais diferidos como parte de seu capital regulatório e que faça a amortização de software desse indicador ao longo de três anos, a partir de 2029, informou o governo nesta quarta-feira (22). As medidas constam de um decreto que deve entrar em vigor a partir do ano que vem.
Essas concessões, maiores do que o esperado, contrastam com um pacote legislativo que será levado ao Parlamento suíço ainda neste ano, voltado ao lastro de capital das subsidiárias estrangeiras do UBS. Enquanto a Suíça busca reforçar os colchões de capital contra futuras crises como a que derrubou o Credit Suisse em 2023, o UBS vem reagindo com força, argumentando que sua competitividade global será prejudicada.
O projeto de lei, liderado pela ministra das Finanças, Karin Keller-Sutter, exige que o UBS dê suporte de 100% de capital, na holding, para suas unidades no exterior — ponto considerado o mais controverso para o banco. A mudança tenta corrigir uma fragilidade vista no caso do Credit Suisse, em que unidades problemáticas no exterior não podiam ser vendidas sem comprometer de forma relevante a solvência do banco-mãe.
Keller-Sutter afirmou em coletiva que o governo está “unanimemente” alinhado com as medidas e que fez concessões significativas ao UBS.
Essa parte da reforma deve elevar em cerca de US$ 19 bilhões os requisitos de capital da holding doméstica do UBS, segundo a última estimativa do governo. Somadas, as duas frentes de mudanças representam um aumento de aproximadamente US$ 20 bilhões nas exigências de capital do grupo.
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Ao oferecer concessões em pontos técnicos, o governo tenta construir apoio político para o que considera uma reforma indispensável. Um parlamentar de alto escalão sinalizou que suavizar o decreto pode ajudar o governo a ganhar boa vontade em relação ao pacote mais amplo.
O Conselho Federal, o Banco Nacional Suíço e o órgão regulador Finma “estão unidos na visão de que as medidas propostas são sensatas, necessárias, bem direcionadas e, para o UBS, administráveis”, disse o governo.
Executivos como o presidente do conselho, Colm Kelleher, e o CEO, Sergio Ermotti, já se manifestaram diversas vezes contra os principais pontos da reforma. Embora as concessões no decreto tragam algum alívio à liderança do banco, o UBS ainda enfrenta um caminho longo até a definição final das mudanças.
O processo legislativo deve durar pelo menos até o ano que vem e abre espaço para alterações relevantes, inclusive porque o UBS terá oportunidade de fazer lobby junto aos parlamentares. Uma comissão do Parlamento deve realizar o primeiro debate a portas fechadas em 4 de maio.
As autoridades alertaram que, se o Parlamento enfraquecer o projeto sobre as subsidiárias no exterior, o governo poderá rever o compromisso em relação aos créditos fiscais diferidos incluído no anúncio desta quarta-feira.
Segundo o governo, as medidas propostas levariam a uma razão de capital CET1 (Common Equity Tier 1) de cerca de 15,5% para o grupo após a implementação, nível que “está em linha com pares internacionais hoje”.
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O governo contestou a visão do UBS de que as medidas prejudicariam a competitividade do banco. “No curto prazo, é possível alcançar um retorno sobre o patrimônio maior com menos capital próprio. No longo prazo, porém, mais capital próprio garante a estabilidade do banco.”
Para o UBS, exigências de capital mais altas ainda podem limitar a capacidade de crescer internacionalmente e de aumentar a remuneração a acionistas, embora o banco siga altamente lucrativo. A instituição deve divulgar os resultados do primeiro trimestre em 29 de abril e é esperada uma alta do lucro líquido para cerca de US$ 2,4 bilhões, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.
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