Setor de carga área aproveita cessar-fogo em junho e cresce 8,5% anuais

Segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a demanda global por carga aérea voltou a se fortalecer no mês; indicador toneladas-quilômetro de carga (CTKs) aumentou 8,5% anuais em junho

Roberto de Lira

Avião de carga da DHL  descarrega no terminal de carga do Aeroporto Internacional Murtala Muhammed, em Lagos, na Nigéria - 11/06/2026 (Foto: REUTERS/Sodiq Adelakun)
Avião de carga da DHL descarrega no terminal de carga do Aeroporto Internacional Murtala Muhammed, em Lagos, na Nigéria - 11/06/2026 (Foto: REUTERS/Sodiq Adelakun)

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A trégua parcial entre Estados Unidos e Irã em junho serviu para dar um aleto ao setor de cargas aéreas. Segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a demanda global por carga aérea voltou a se fortalecer no mês, com o indicador de toneladas-quilômetro de carga (CTKs) do setor como um todo aumentando 8,5% em relação ao ano anterior.

Embora parte da expansão tenha sido atribuída ao retorno de parte da operação por companhias do Oriente Médio à expansão, o principal destaque em junho foi o forte desempenho da América do Norte.

Segundo os dados, o tráfego internacional de carga expandiu 9,6% em junho na comparação anual, com as transportadoras norte-americanas lideraram o crescimento, enquanto a aceleração acentuada entre as transportadoras do Oriente Médio marcou a melhora regional mais significativa no crescimento anual.

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Já a capacidade do setor, medida em toneladas-quilômetro de carga disponível (ACTKs), aumentou 4,4%, abaixo do ritmo de crescimento da demanda, resultando em fatores de ocupação de carga (CLF) mais elevados. A oferta expandiu na maioria das regiões, embora as transportadoras africanas tenham reduzido a capacidade disponível.

Ainda segundo o boletim da IATA, os preços mensais dos combustíveis tiveram alívio em junho com a melhora do fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico, enquanto os rendimentos (yields) da carga aérea denominados em dólar registraram a primeira queda mensal após um período sustentado de aumentos.

Os preços do querosene de aviação e os yields da carga, no entanto, permaneceram bem acima dos níveis do ano anterior.

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Detalhes

Os ganhos do setor de carga área se concentraram em dois grandes mercados, em vez de se distribuírem uniformemente entre as regiões. As transportadoras norte-americanas registraram o ritmo mais rápido no mercado geral, com 13,1% em relação ao ano anterior, e adicionaram mais de 700 milhões de CTKs, gerando quase 38% do aumento do setor.

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As transportadoras da Ásia-Pacífico avançaram 7,9%, contribuindo com 670 milhões de CTKs e 34% do aumento do setor.

Juntas, as duas regiões produziram quase três quartos do tráfego adicional. As transportadoras europeias registraram um sólido aumento de 6,9%, enquanto as da América Latina e Caribe ficaram atrás do mercado, com alta de 3,5%.

As companhias aéreas do Oriente Médio registraram um aumento de 5,6% ano a ano na demanda por carga aérea em junho, enquanto a capacidade aumentou 2,5% em relação ao ano anterior.

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Embora os resultados do mês tenham sido em território de crescimento, a IATA destaca que eles são tendenciosos para o positivo, pois a comparação é com junho de 2025, que foi particularmente fraco para as companhias no Oriente Médio devido a interrupções causadas por conflitos militares. Naquele mês do ano passado, Estados Unidos e Israel realizaram ataques ao Irã, o que prejudicou o transporte aéreo na região.

Principais corredores

A análise dos todas as operadoras que atendem a uma rota comercial fornecem uma visão abrangente da conectividade internacional da carga aérea.

Os mercados ligados à Ásia, por exemplo forneceram a fonte mais clara de força no nível de rota. Ásia–América do Norte, o maior corredor, subiu 14,7%, com ampliação pelo quinto mês consecutivo, impulsionado pela demanda de IA e semicondutores.

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O tráfego intra-asiático cresceu 7,2%, também se beneficiando do movimento de cargas relacionadas à IA. Europa–Ásia avançou 7,1%, estendendo sua sequência de crescimento para 40 meses consecutivos.

Já o tráfego transatlântico permaneceu amplamente estável na comparação anual, mas as condições melhoraram significativamente em relação a maio. Europa–América do Norte acelerou 1,8 ponto percentual, pondo fim a três meses consecutivos de contração, embora o mercado ainda não tenha retornado ao crescimento.

Em contraste, o desempenho dos corredores das companhias aéreas do Oriente Médio permaneceu desigual em toda a rede. Europa–Oriente Médio contraiu 41,1%, a queda mais acentuada entre as principais rotas comerciais, deteriorando-se em mais 20,2 pontos percentuais em relação a maio.

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Oriente Médio–Ásia também permaneceu em contração, a 4,1% na comparação anual, embora o ritmo da queda tenha diminuído 11,8 pontos percentuais. Os dados de rota mostraram, portanto, que a melhora no desempenho entre as transportadoras do Oriente Médio ainda não produziu uma restauração uniforme de todos os fluxos ligados aos hubs.

Tráfego

O fator de ocupação de carga (CLF) do setor como um todo ficou em 46,9% em junho, uma alta de 1,8 ponto percentual em relação ao mesmo mês do ano anterior. A utilização em junho também ficou ligeiramente acima de maio, embora o movimento sequencial tenha sido modesto.

“Aeronaves mais cheias fortaleceram o balanço comercial e mostraram que o espaço adicionado estava sendo absorvido. A configuração mais apertada também deixou menos margem operacional caso uma disrupção geopolítica ou mudanças repentinas nos fluxos comerciais restrinjam a flexibilidade da rede”, disse a IATA.

As transportadoras africanas registraram o maior ganho anual, com o fator de ocupação subindo 5,4 pontos percentuais para 48,1%, mas o resultado foi reforçado por uma retirada de capacidade disponível.

As transportadoras da Ásia-Pacífico registraram a maior utilização, com 51,8%, seguidas pelas europeias, com 50,5%. As transportadoras do Oriente Médio atingiram 46,5% à medida que o tráfego de transferência começou a retornar aos hubs regionais, enquanto as norte-americanas subiram para 40,7%.

As transportadoras da América Latina e Caribe foram a única exceção ao aperto generalizado: seu fator de ocupação caiu 2,1 pontos, para 33,9%, dado um aumento de capacidade de 9,8% que superou o aumento de 3,5% no tráfego.

Rendimentos da carga

A melhora no fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico reduziu a pressão imediata sobre os preços de energia, embora trocas intermitentes de tiros tenham mantido os mercados em alerta. Iniciativas diplomáticas e a discussão de um cessar-fogo elevaram as expectativas de que a oferta regional poderia se aproximar de condições operacionais normais.

Em junho, o preço médio do Brent à vista caiu cerca de 20% em relação a maio, para US$ 85,5 por barril, em meio a discussões sobre um cessar-fogo de 60 dias. O tráfego no Estreito de Ormuz se recuperou para quase metade do seu nível pré-conflito, devolvendo mais de cinco milhões de barris por dia ao mercado.

Assim, o querosene de aviação caiu US$ 28,5 por barril na comparação mensal, para uma média de US$ 129,5, enquanto a produção europeia ficou cerca de 32% acima dos níveis pré-conflito. Na comparação anual, o jet fuel estava 45,8% mais alto, o Brent à vista 19,6% mais alto e o crack spread 155,6% maior.

A associação relata que a economia de refino, denominada em dólar americano, permaneceu excepcionalmente apertada apesar do petróleo bruto mais barato. As margens robustas do combustível de aviação incentivaram as refinarias a priorizar a produção de querosene em detrimento do diesel e reduziram a exposição da Europa a importações interrompidas.

“Para a precificação da carga, a queda mensal marcou a primeira contração após dois aumentos sucessivos e o resultado sequencial mais fraco em cinco meses. Os rendimentos anuais, no entanto, estenderam um quarto mês de ganhos de dois dígitos. A divergência aponta para um alívio a partir de um pico de curto prazo, em vez de um retorno a condições normais de precificação.”