Eleições nos EUA

Sanders vence primárias em Nevada e confirma favoritismo entre democratas

O autointitulado socialista Bernie Sanders, 78, venceu com folga a disputa pelos delegados do estado de Nevada, no oeste dos Estados Unidos

O autointitulado socialista Bernie Sanders, 78, venceu com folga a disputa pelos delegados do estado de Nevada, no oeste dos Estados Unidos, e confirmou seu favoritismo na disputa pela candidatura presidencial do Partido Democrata. Com 60% dos resultados apurados, Sanders tinha 46% dos votos.

Com a amplamente esperada vitória do senador, a grande dúvida diz respeito aos outros candidatos. No início da apuração, o ex-vice-presidente Joe Biden vinha em segundo lugar, com 19,6%, seguido pelo ex-prefeito Pete Buttigieg (15,3%) senadora Elizabeth Warren (10,1%). O bilionário Michael Bloomberg, alvo de ataques ferinos no debate da quarta-feira, não está participando da disputa em Nevada.

O processo de escolha dos candidatos à Presidência é longo, e as convenções dos dois partidos que ratificam os nomes na cédula só acontecem no meio do ano. Mas Sanders, a grande surpresa da eleição de quatro anos atrás, está numa posição confortável.

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Embora poucos delegados tenham sido definidos até agora, o senador conta com uma campanha muito bem organizada e eficiente na arrecadação. Seus correligionários, muitos deles millennials, são extremamente aguerridos.

Com propostas como cobertura de saúde para todos os americanos, universidades públicas gratuitas e taxação de bilionários, Sanders pode vir a ser um dos candidatos presidenciais mais esquerdistas da história das eleições americanas.

E esse é justamente o temor da ala moderada do partido. Adversários como Pete Buttigieg afirmam que escolher um radical como Sanders significa entregar um segundo mandato para Trump de bandeja.

Sanders, um outsider entre os democratas, poderia destruir o partido, disse o ex-prefeito num discurso na noite de ontem. Ele acreditaria em “uma revolução inflexível e ideológica, que deixa de fora a maioria dos democratas”, afirmou Buttigieg.

Ninguém tem dúvidas de que a campanha de Trump contra uma eventual candidatura de Sanders vá se basear em referências à “ameaça vermelha” e menções a palavras como socialismo e comunismo.

A declaração duríssima de Buttigieg é um sinal do que se espera para o debate marcado para a noite da próxima terça. Como os democratas vão lidar com a disparada do socialista Sanders pode ser a questão mais importante daqui até a convenção do partido, marcada para o final de julho.

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Mas Sanders, como Trump, parece revestido de um composto antiaderente, como notou o título de uma reportagem recente do The New York Times. Em seus anos no Senado ele votou a favor da indústria das armas (Vermont, seu estado, é rural e historicamente contrário a tentativas de regular a compra de armas).

Na sexta-feira, o governo afirmou que os russos podem estar tentando ajudar sua campanha. Não se sabe que tipo de ações teriam sido tomadas. Sanders foi informado há um mês atrás da tentativa de interferência, mas só se pronunciou a respeito depois de o assunto ser noticiado pelo jornal The Washington Post.

Um partido dividido

Buttigieg vem tentando se apresentar como um nome novo e de consenso. Apesar da vitória surpreendente em Iowa, porém, ele é um nome relativamente desconhecido nacionalmente e conta com pouco apoio entre os eleitores negros e latinos – essenciais para qualquer candidato democrata. Os analistas fazem um diagnóstico muito parecido em relação à senadora Amy Klobuchar, outra representante da ala moderada.

Joe Biden era apontado nas pesquisas como o nome com mais chances de derrotar Donald Trump (o impeachment do presidente americano envolvia justamente um toma-lá-dá-cá com o colega ucraniano para conseguir munição política contra Biden). Mas o ex-vice de Barack Obama teve resultados decepcionantes nas duas primeiras rodadas das primárias e, se não conseguir uma vitória convincente na Carolina do Sul, suas chances de vencer a disputa são praticamente nulas.

E então há Michael Bloomberg. O ex-prefeito de Nova York, com seus 69 bilhões de dólares de fortuna pessoal e centenas de milhões gastos em publicidade na TV o colocaram automaticamente entre os favoritos. Mas sua performance no debate foi muito fraca.

Na sexta-feira, depois de dois dias de intensas críticas, Bloomberg voltou atrás e disse que liberaria três mulheres de acordos de confidencialidade assinados com ele. Elas se queixaram formalmente por comentários feitos pelo empresário e estão impedidas de falar publicamente do assunto porque fizeram acordos financeiros.

Num dos momentos mais tensos da campanha até aqui, a senadora Elizabeth Warren perguntou incisivamente se o bilionário estaria disposto a permitir que as mulheres se manifestassem. Bloomberg se enrolou para responder e no fim das contas disse que não o faria.

A volta atrás da sexta-feira é uma tentativa de conter os danos, mas as dúvidas sobre o talento político do ex-prefeito, que não gosta de ser contrariado e às vezes aparenta rispidez em aparições públicas, só vão aumentar nas próximas semanas.

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