Transição difícil

Riscos climáticos ameaçam crescimento de Brasil, Rússia e África do Sul

Os três países não têm espaço para assumir mais dívidas para aliviar problemas de curto prazo, segundo o JPMorgan Asset Management

Imagem aérea de sessão da floresta amazônica próxima de Porto Velho (RO) dizimada por incêndios em 25 de agosto de 2019. (Victor Moriyama / Getty Images)
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(Bloomberg) – Mercados emergentes como Brasil, Rússia e África do Sul enfrentam uma transição mais difícil para uma economia de baixo carbono, porque não têm margem para amortecer a mudança com o aumento dos gastos públicos, de acordo com a JPMorgan Asset Management.

Os três países não têm espaço para assumir mais dívidas para aliviar problemas de curto prazo, disseram estrategistas liderados por Jennifer Wu em relatório na sexta-feira, acrescentando que a Índia também enfrentaria uma transição difícil. Canadá e Austrália, comparativamente intensivos em carbono, têm mais margem para assumir dívidas, disseram.

O custo da transição para uma pegada de baixo carbono “pode ser apoiado por famílias e empresas atualmente ou financiado por dívida pública e transferido para as gerações futuras, e grande parte da dívida acabaria nos balanços soberanos”, disseram os estrategistas. Uma abordagem híbrida envolve parcerias público-privadas, acrescentaram.

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Embora haja muita incerteza sobre o impacto exato de políticas climáticas nos países mais expostos, uma mudança poderia reduzir o PIB russo em mais de 6,5% nas próximas três a quatro décadas, de acordo com o relatório. Suíça, União Europeia e Japão parecem mais preparados para as mudanças, já que dependem menos de combustíveis fósseis, estão dispostos a fazer a transição e frequentemente lideram em tecnologia verde, disseram os estrategistas.

“A atmosfera da Terra está mudando de maneiras que não eram vistas há cerca de 800 mil anos – as evidências são avassaladoras”, afirmaram os estrategistas. Investidores “precisam levar em consideração importantes diferenças geográficas e setoriais na trajetória da política climática”.

A energia renovável e a infraestrutura verde têm a ganhar, enquanto a energia tradicional, consumo cíclico, matérias-primas e algumas concessionárias poderiam ser os mais atingidos. A relação preço/valor patrimonial de petrolíferas integradas têm correlação positiva com uma medida de sua exposição a tecnologias que sustentam a transição do carbono, de acordo com o relatório.

A redução das emissões que contribuem para o aquecimento global poderia ser alcançada por meio de impostos e regulamentações de carbono, estímulo verde financiado por dívida ou uma combinação de ambos, disse a JPMorgan Asset Management. Bancos centrais podem reorientar os programas de flexibilização quantitativa para ativos mais verdes, potencialmente reduzindo os rendimentos dos títulos verdes em relação a outros, de acordo com o relatório.

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