Crise diplomática envolvendo Gaza pode minar relações comerciais entre Brasil e Israel?

Corrente de comércio entre os países somou cerca de US$ 2 bilhões em 2023, mas estudo recente da Apex elencou 327 oportunidades de negócios; tecnologia e alimentos tem atraído investimentos

Roberto de Lira

(Getty Images)

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Além da crise diplomática gerada pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparando a crise humanitária na Faixa de Gaza com o Holocausto judeu da 2ª Guerra Mundial – com uma dura resposta dada por Israel -, é natural que se pense em possíveis impactos comerciais com o estremecimento das relações.

Em termos de volume, o impacto de algum tipo sanção pode ser considerado pequeno, dada a dimensão da corrente de comércio entre os dois países, mas também é verdade que as relações estavam crescendo até o início do conflito entre Israel e Hamas.

A corrente de comércio entre os dois países no ano passado foi pouco superior a US$ 2 bilhões, com vendas brasileiras de cerca de US$ 750 milhões e compras de US$ 1,3 bilhão, de acordo com dados da Secex.

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Oportunidades

Em setembro de 2023, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) divulgou um perfil reunindo informações sobre comércio e investimentos entre Brasil e Israel e chegou a uma projeção de 327 oportunidades de ampliação.

Esses negócios potenciais estão em segmentos nos quais já existem negócios bilaterais, como em combustíveis e commodities, quanto em áreas de máquinas e equipamentos de transporte e alguns artigos manufaturados.

Segundo o estudo da Apex, a corrente de comércio Brasil-Israel cresceu cerca 130% no período entre 2021 e 2022, com 85% do valor das exportações brasileiras concentradas nos grupos de produtos como petróleo, carne bovina, milho e soja.

Um dado interessante é que as exportações de petróleo começaram apenas em 2021 e já se transformaram no principal item da pauta exportadora em 2022, passando de US$ 1 bilhão, o equivalente a 56,7% dos embarques totais de US$ 1,883 bilhão.

Por sua vez, o Brasil comprou US$ 2,118 bilhões de bens e serviços de Israel em 2022, sendo 54% foram adubos e fertilizantes.

Investimento direto

O investimento direto israelense também tem crescido no país, embora ainda esteja apenas na 38ª posição entre as nações que mais aportam recursos no Brasil. Conforme dados do Banco Central, o estoque de capital israelense no Brasil cresceu mais de 650% entre 2012 e 2021, chegando a US$ 993 milhões aportados.

Entre os investimentos ‘greenfield’ dos últimos anos, a Apex destacou a abertura de um escritório comercial da unicórnio Pentera Cybersecurity no Brasil no ano passado (US$ 4,4 milhões). Também foi listada a abertura de representações da Tuvis, de vendas online, em Campinas e São Paulo (US$ 3,7 milhões) e de centros de segurança em nuvem da Radware no mesmo ano, sem valores revelados.

Em fusões e aquisições, foram citadas a compra em 2021 da Fertilaqua, da Aqua Capital, pelo ICL Group, por US$ 122 milhões, e a aquisição de 51% da empresa alimentícia Bremil pela Frutarom, em 2018, por US$ 30 milhões. Um ano antes a mesma empresa havia comprado 80% do Grupo SDFLC, por US$ 32,8 milhões.

O estoque de IED do Brasil em Israel é bem inferior, tendo atingido US$ 143 milhões em 2021. Entre os negócios mais recentes, a  Apex citou a compra pela brasileira Avante.com de 100% da desenvolvedora israelense de aplicativos de transferência de dinheiro online Sling, em 2016, por US$ 10 milhões.

Segundo a agência, os setores brasileiros de tecnologia, venture capital e imobiliário têm demonstrado crescente interesse no mercado israelense, participando de missões em parceria com o Escritório ApexBrasil em Tel Aviv.

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