Recuperação do mercado imobiliário chinês ainda é incerta, diz Julius Baer

Melhora nos preços de novas moradias em janeiro pode ter sido surto de curto prazo após flexibilização no controle da pandemia

Roberto de Lira

Representação do mercado imobiliário da China (Foto: Shutterstock)

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A recuperação dos preços de novas moradias na China em janeiro em cidade de diferentes dimensões são um sinal positivo para o mercado, mas ainda é cedo para decretar se o movimento no mês é um inversão de tendência ou um surto de curto prazo motivado pelo fim das restrições de circulação de pessoas no país. A afirmação é de relatório da Julius Baer, assinado pela equipe de análise de renda fixa da Ásia.

Na semana passada, o National Bureau of Statistics (NBS) informou que os preços em quatro cidades classificadas como de primeira linha (Pequim, Xangai, Shenzhen e Guangzhou) subiram 0,2% na comparação mensal, após uma queda de 0,1% em dezembro. Segundo o jornal South China Morning Post, foi a primeira alta mensal desde agosto de 2021.

Em janeiro, 36 das 70 cidades grandes e médias da China registraram aumentos mensais nos preços de venda de novas residências, ante 15 cidades em dezembro.

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Segundo a Julius Baer, a melhora nas vendas semanais de imóveis é encorajadora, mas a sustentabilidade da recuperação permanece incerta porque o impacto das medidas de flexibilização ainda não está totalmente mensurado. “Esperamos ver mais medidas de flexibilização, especialmente para estimular a demanda doméstica”, disse a casa de análises citando também a adoção de políticas para o setor.

Os preços mais altos das casas são vistos como um sinal positivo e podem sugerir que o sentimento está melhorando lentamente. De fato, os dados semanais de vendas de propriedades em 60 cidades do Sistema de Índice Imobiliário da China (CREIS) também refletem a melhora nas vendas de residências, subindo 31% na semana, ou 26%na comparação anula na semana encerrada em 12 de fevereiro.

No entanto, as vendas agregadas de propriedades dos 100 principais promotores imobiliários chineses permanecem fracas, ainda sem sinais de recuperação em janeiro, caindo 32% no ano, ante queda de 32% em dezembro, de acordo com dados da China Real Estate Information (CRIC).

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Segundo a Julius Baer, a fraqueza nas vendas pode ser explicada em parte aos feriados do Ano Novo Lunar em janeiro. “Podemos ver um estreitamento das quedas nas vendas nos próximos meses, à medida que as atividades econômicas se normalizam e medidas políticas potencialmente mais favoráveis ​​são introduzidas para estimular a demanda doméstica.”