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A PDVSA, estatal venezuelana do petróleo, terá um longo caminho a percorrer para voltar ao jogo no tabuleiro dos grandes grupos produtores de petróleo do mundo. Ao longo das últimas décadas, a companhia perdeu quase todo seu pessoal mais capacitado. Além disso, para que os investimentos ao país retornem será preciso recuperar a confiança, abalada pelas expropriações praticadas pelo regime bolivariano. A opinião é de David Zylbersztajn, pesquisador e professor da PUC-RJ.
Ao InfoMoney Entrevista, o especialista em energia e ex-diretor da ANP, lembrou que a PDVSA possuía no passado um grupo de técnicos altamente qualificados, que foram embora na leva de cerca de 8 milhões de venezuelano, empurrados para fora do país por motivos políticos e econômicos.
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“Você tem que ter qualidade técnica, logística e de tecnologia por exemplo. O que eu sempre digo é que os grandes ativos da Petrobras não são só nem os dutos, nem as refinarias, nem as plataformas. São as pessoas, a qualidade do capital humano é essencial”, comparou, destacando o trabalho recente que os técnicos da companhia brasileira fizeram na Margem Equatorial.
Ele também ponderou que, além da recuperação técnica dos quadros da petrolífera venezuelana e da reconstrução das instalações de produção e da de transporte e logística do país, será necessário fazer uma avaliação econômica da viabilidade da exploração de petróleo.
Ele citou especificamente a incerteza insegurança jurídica, algo que foi falado recentemente pelo presidente da ExxonMobil. Ele comparou o caminho a ser trilhado nessa busca de confiança com a situação do Brasil. “A Lei do Petróleo vai fazer ano que vem 30 anos. Ao longo desses quase 30 anos, o Brasil se mostrou um país coerente e seguro. Você pode construir um prédio em 3, 4 ou 5 anos, mas ele pode ser implodido em segundos. E Venezuela implodiu mais de uma vez os seus prédios”, lembrou.
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Zylbersztajn também destacou que o Brasil demorou a atrair investimentos, principalmente por conta da moratória que deu no final dos anos 1970 e início dos anos 1980 enfim, mas que foi reconstruindo principalmente a questão da obediência aos contratos.
Outra dúvida listada pelo pesquisador é como vai se dar governança da presença nos Estados Unidos na Venezuela.