Dados da indústria

Produção industrial interrompe dois meses seguidos de queda e sobe 7% em maio, em linha com o esperado

Na comparação anual, contudo, indicador mostrou queda de 21,9% em meio ao impacto da pandemia do coronavírus

SÃO PAULO – A produção industrial brasileira teve alta de 7% em maio na comparação com abril, interrompendo dois meses de resultados negativos consecutivos, mostrou nesta quinta-feira (2) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg era de alta de 7% no indicador na comparação mensal, após uma queda de 18,8% na medição anterior em meio aos impactos da pandemia do novo coronavírus.

Na comparação anual, houve uma contração de 21,9%; a expectativa era de que o indicador tivesse registrado recuo de 21,8%, após cair 27,3% no mês anterior. Este foi o sétimo resultado negativo seguido nesse tipo de comparação e a segunda queda mais elevada desde o início da série histórica, atrás apenas de abril de 2020.

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No ano, a indústria acumulou queda de 11,2%. Em 12 meses, o recuo foi de 5,4%, o mais intenso desde dezembro de 2016 (-6,4%).

A expansão de 7,0% em maio de 2020 foi a mais elevada desde junho de 2018 (12,9%), mas eliminou apenas pequena parte da queda de 26,3% acumulada entre março-abril de 2020.

“O comportamento positivo foi disseminado, explicado especialmente pelo aumento do ritmo produtivo, após os meses de março e abril refletirem o aprofundamento das paralisações ocorridas em diversas plantas industriais, por conta do movimento de isolamento social em função da pandemia da COVID-19. Porém, mesmo com o desempenho positivo mais acentuado em maio, o total da indústria ainda se encontra 34,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011”, destaca o IBGE.

Ainda na série com ajuste sazonal, permanece o comportamento de queda do índice de média móvel trimestral, com o total da indústria registrando recuo de 8,0% em maio de 2020 frente ao nível do mês anterior, mantendo a trajetória predominantemente descendente iniciada em outubro de 2019.

O avanço da atividade industrial na passagem de abril para maio de 2020 teve perfil generalizado de crescimento, alcançando todas as grandes categorias econômicas e 20 dos 26 ramos pesquisados.

Entre as atividades, as influências positivas mais relevantes foram em veículos automotores, reboques e carrocerias (244,4%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (16,2%); e bebidas (65,6%), impulsionados, em grande medida, pelo retorno à produção (mesmo que parcialmente) de unidades produtivas, após as paralisações/interrupções da produção ocorridas em várias unidades produtivas, devido aos efeitos causados pela pandemia, informa o instituto.

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Com esses resultados, veículos automotores, reboques e carrocerias interrompeu dois meses seguidos de queda na produção e marcou a expansão mais acentuada desde o início da série histórica, mas ainda assim se encontra 72,8% abaixo do patamar de fevereiro último.

Já coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis voltou a crescer após três meses consecutivos de taxas negativas, período em que acumulou perda de 20,0%. Enquanto que bebidas eliminou parte da redução de 49,6% acumulada nos meses de março e abril de 2020.

Outras contribuições positivas relevantes sobre o total da indústria vieram de produtos de minerais não-metálicos (16,9%), de metalurgia (9,5%), de produtos de borracha e de material plástico (13,5%), de couro, artigos para viagem e calçados (49,7%), de produtos de metal (13,4%), de máquinas e equipamentos (9,0%), de móveis (49,1%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (18,0%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (13,2%), de outros equipamentos de transporte (57,9%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (12,3%) e de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4,7%).

Por outro lado, entre os seis ramos que assinalaram recuo na produção, os desempenhos de maior importância para a média global foram registrados por indústrias extrativas (-5,6%), celulose, papel e produtos de papel (-6,4%) e perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (-6,0%).

Entre as grandes categorias econômicas, ainda em comparação com abril de 2020, bens de consumo duráveis, ao crescer 92,5%, e bens de capital (28,7%) mostraram as taxas positivas mais acentuadas em maio de 2020, com ambos interrompendo dois meses seguidos de queda na produção e marcando os avanços mais elevados desde o início de suas séries históricas. Apesar dos resultados positivos elevados, os segmentos ainda se encontram bem abaixo do patamar de fevereiro último: -69,5% e -36,1%, respectivamente.

Os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (8,4%) e de bens intermediários (5,2%) também assinalaram crescimento na produção, com o primeiro também avançando acima da média da indústria (7,0%) e interrompendo três meses consecutivos de queda na produção, período em que acumulou recuo de 22,9%; e o segundo voltando a crescer após acumular perda de 18,2% nos meses de março e abril de 2020.

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