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Produção industrial decepciona e traz recado: recuperação não será tranquila para o Brasil em 2020

Contudo, a expectativa é de que a indústria deve seguir em uma trajetória de recuperação gradual (mas com percalços)

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SÃO PAULO – A produção industrial de novembro divulgada na manhã desta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi um verdadeiro “balde de água fria” para aqueles que esperavam uma recuperação firme – e relativamente tranquila – da atividade econômica brasileira em 2020.

Após três meses seguidos de recuperação, a indústria interrompeu de forma generalizada a trajetória de alta e teve uma queda de 1,2% em novembro frente outubro, ou uma baixa de 1,7% na base de comparação anual, surpreendendo de forma bastante negativa a expectativa de queda de 0,7% na base mensal e de 0,8% na base de comparação com 2018, segundo compilação feita pela Bloomberg com estimativas de economistas. O resultado fez o setor perder parte da alta de 2,2% acumulada durante uma sequência de três meses consecutivos de avanços, de agosto a outubro.

Dos 26 setores industriais monitorados pela agência de estatísticas, 16 caíram em novembro em relação ao mês anterior. As principais influências negativas foram registradas por produtos alimentícios (-3,3%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,4%) e indústrias extrativas (-1,7%).

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A redução na fabricação de automóveis puxou a queda na categoria de bens de consumo duráveis, enquanto a menor produção de caminhões pressionou os bens de capital.

“A produção de bens de capital registra agora queda em quatro dos últimos seis meses, o que sugere uma dinâmica de investimentos mais enfraquecida”, aponta Alberto Ramos, economista para América Latina do Goldman Sachs.

A queda abrupta da indústria brasileira gera uma pausa no otimismo sobre a economia do país. Economistas consultados pelo Focus têm uma visão de que o crescimento da economia pode dobrar neste ano na comparação com 2019 ao subir mais de 2% (mais precisamente 2,3%, segundo dado de 6 de janeiro), em meio a um ambiente de reformas favoráveis para o mercado e com o Banco Central reduzindo os juros a níveis recordes.

“O resultado da produção industrial funciona como um sério lembrete de que o crescimento econômico deve acelerar, mas o processo não é linear nem homogêneo”, apontou à Bloomberg Adriana Lupita, economista para a América Latina da Bloomberg Economics.

“O varejo deve registrar uma performance melhor do que a indústria. Já a produção industrial deve se beneficiar de taxas mais baixas, mas outros fatores, como a demanda de parceiros comerciais, como a da Argentina em crise, além de retomada da confiança e investimento, podem continuar pesando contra”, avalia.

As estimativas também não são tão positivas para o mês de dezembro. Os primeiros indicadores de desempenho industrial mostram um cenário misto, segundo a Capital Economics. “Os números mostram que a recuperação econômica do Brasil permanece fraca “, destaca John Ashbourne, economista sênior de mercados emergentes da consultoria.

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Para o Bradesco BBI, apesar do número ruim, isso não deve mudar a tendência de recuperação da produção industrial, mas deve mostrar uma visão mais cautelosa em relação à atividade econômica.

“De fato, embora o quarto trimestre de 2019 tenha sido mais aquecido devido à liberação de recursos do FGTS e à continuidade de uma operação recuperação cíclica, o Brasil ainda apresenta uma taxa de desemprego historicamente alta (de 11,2% em novembro). Por enquanto, continuamos avaliando que a indústria deve continuar melhorando gradualmente no curto prazo. No longo prazo, o crescimento exigirá mais força da categoria de bens de capital, o que sugere que os investimentos precisarão seguir um caminho de crescimento mais sustentável”, avaliam os economistas.

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(Com Bloomberg)