Prévia da inflação de fevereiro cumpre ‘script’ e não mudará visão do BC, dizem economistas

Avaliação é que subida do grupo Educação e de combustíveis no mês já era esperada e que patamar elevado de serviços subjacentes continua a ser ponto de atenção, mas que plano de voo do BC se manterá

Roberto de Lira

(Getty Images)

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Embora a divulgação do IPCA-15 de fevereiro tenha mostrado uma aceleração ante janeiro, muito por conta dos reajustes sazonais na educação, e a abertura do indicador tenha ainda apontado os serviços subjacentes e os núcleos em patamares altos, a avaliação dos economistas é que a inflação seguiu o script esperado no mês.

Assim, o dado da prévia da inflação oficial deve alterar pouco a visão de um BC cauteloso, mas mantendo o plano de voo na política monetárias

A análise da XP é que a composição do IPCA-15 de fevereiro foi neutra. A explicação é que, ainda que o indicador tenha mostrado variação de 0,78% (abaixo da projeção da mediana de projeções de 0,82%), a inflação dos serviços e as medidas médias básicas de três meses anualizadas reaceleraram, como o mercado amplamente esperava.

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Entre as variações esperadas, os reajustes nos preços da Educação vieram em linha com o esperado pela XP, com os “cursos regulares”, que incluem mensalidades escolares e universitárias, subiram 6,1% (ante projeção de 5,9%). Ao mesmo tempo, os preços dos combustíveis contribuíram para a elevada inflação global, também como aguardado, após o aumento dos impostos estaduais (ICMS) anunciado no final do ano passado.

Em relação às medidas agregadas, a média dos núcleos de inflação avançou 0,56% no mês, também em a estimativa de 0,54%. Mas a média móvel anualizada ajustada sazonalmente de 3 meses subiu de 3,6% para 3,8%, o terceiro aumento consecutivo. E  a medida de serviços subjacentes aumentou 0,65% no mês, perto da previsão de 0,64% e sem grandes surpresas.

“Os principais desvios à nossa previsão vieram dos alimentos frescos, provavelmente mostrando um retorno mais rápido do que o esperado nos efeitos do El Niño, impondo um viés descendente à nossa previsão para este agregado no curto prazo”, comenta a XP.

​A XP deve rever suas projeções para o IPCA de 2024 em breve, admite que a estimativa atual, de 3,7%, está inclinada para baixo.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, também não viu grandes surpresas no indicador de fevereiro, uma vez que a alta da educação é característica para o período.

Mas um ponto interessante é que o 5,07% (a variação do grupo Educação) é acima do IPCA fechado do ano passado. Ou seja, as escolas deram um reajuste maior do que a inflação do ano anterior, mostrando como o componente inercial no Brasil segue sendo bem relevante ano após ano, ciclo após ciclo econômico. Esse é um dos principais desafios na questão de serviços”, destaca

Sobre esses preços, ele lembra que a parte de serviços teve uma alta de 1,13% no mês, após ter recuado em janeiro. A variação dos subjacentes, que são os serviços menos submetidos a choques foi 0,65% após 0,68%, “então ficou praticamente em linha”.

Para o Itaú, o IPCA-15 de fevereiro ficou abaixo do esperado, principalmente por conta das variações de passagens aéreas e gasolina. “A composição desta divulgação também foi melhor do que o esperado, com surpresas negativas nos setores industriais subjacentes (vestuário), enquanto os serviços subjacentes se aproximaram das expectativas”, diz o banco em sua análise.

Sinais de alerta

Já Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avalia que, de forma geral, a inflação segue controlada, embora existam alguns sinais de alerta. “Era de se esperar um fevereiro mais pressionado por conta dos reajustes de matrículas no início do ano letivo, aumento do ICMS sobre gasolina e pressão sobre alimentos em domicílio”, comenta

Segundo ele, os sinais de alerta estão em preços como os serviços subjacentes, que subiram tanto na leitura mensal quanto na variação anual. “A média móvel de três meses anualizada e ajustada sazonalmente do núcleo de inflação e de serviços subjacentes registraram novas altas. Essas métricas ainda continuam em patamares elevados e por isso merecem cautela”, explica.

Darwin Dib, economista da Gauss Capital, concorda com essa avaliação. “Apesar dos núcleos de inflação, incluindo o núcleo de serviços subjacentes, terem registrado elevação em relação às leituras anteriores, essa aceleração foi menos intensa do que aquela antecipada pelas expectativas”, diz. Para ele, o resultado de hoje deve estimular a redução da expectativa da mediana do mercado para o resultado do IPCA cheio de fevereiro.

Um movimento nesse sentido já começou. Leonardo Costa, economista da ASA Investments, por exemplo, prevê que o IPCA de fevereiro será revisto de 0,72% para 0,76%. “A elevação da projeção para combustíveis compensou as reduções nos demais itens mais voláteis, como alimentos, passagem aérea e outros serviços que repetem do IPCA-15”, comenta. Segundo ele, a estimativa para o IPCA fechado de 2024 segue em 3,5%.

André Cordeiro, economista-sênior do Inter, também considera que o resultado de fevereiro foi bastante influenciado pela sazonalidade típica do período e que não traz grandes preocupações.

“O principal ponto de cautela continua sendo a dinâmica da inflação de serviços subjacentes, mas devido à sazonalidade do início de ano, é precoce concluir alguma mudança de dinâmica”, explica.

Para ele, isso não terá força para alterar o plano de voo do Copom que deve manter os cortes de 50 bps na taxa Selic nas próximas reuniões. “A incerteza maior deve permanecer sobre a taxa terminal, uma discussão que deve se intensificar somente no segundo semestre. Mantemos nossa visão de Selic caindo para 8,5%, enquanto os preços de mercado hoje apontam para 9,5%”, afirma.

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