Atividade

PIB do 3º tri leva a onda de revisões para cima da atividade, mas retomada do emprego deve ficar para 2020

Economistas exaltam investimento na construção, mas setor externo e menos gastos do governo limitam a atividade

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – O crescimento de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre foi melhor que o esperado pelo mercado financeiro – alta de 0,4% de acordo com o consenso Bloomberg – e mostrou força do lado da oferta.

Com os números surpreendendo para cima e as revisões da série histórica, diversas casas elevaram a sua estimativa para a atividade neste ano. Goldman Sachs, XP Investimentos e o Barclays revisaram a previsão do PIB para 2019 de 1% para 1,2%. Por outro lado, o Bradesco revisou sua estimativa para crescimento do PIB de 0,9% para 1,1% em 2019.

Economistas entendem que o mercado de trabalho, por outro lado, só irá deslanchar mesmo em 2020, uma vez que o ajuste fiscal está “ocultando” ainda parte da retomada.

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Em relatório, Alberto Ramos, economista para América Latina do Goldman Sachs, projeta que no ano que vem a economia deva acelerar para 2,3%, acima da expectativa anterior, que era de 2,2%. Esse cenário se concretizaria por conta de um impulso de crédito mais firme, apoiado na taxa de juros em seu menor nível histórico e um fortalecimento leve da confiança dos consumidores e das empresas.

Tudo isso culminaria em uma melhoria gradual no nível de emprego. Isso porque, quando os empresários estão mais confiantes, eles tendem a contratar mais pessoas. Esse movimento também ajudaria a alimentar o ciclo virtuoso para acelerar o ritmo da atividade econômica, já que existirem mais pessoas empregadas seria um fator de fortalecimento do consumo, tirando o atraso da demanda, que é o lado que ficou para trás na leitura do terceiro trimestre.

O economista Thomaz Sarquis, da Eleven Financial Research, explica que o mercado de trabalho é o último a responder em momentos de recuperação da economia e o PIB ainda não está mostrando uma expansão tão pujante que possa dar um choque no número de postos de trabalho.

“Não temos um crescimento relevante do PIB. A economia cresceu 1,3% em 2018 e 1% até agora este ano. Isso é reflexo da mudança na composição do PIB, que antes era pautado por gastos do governo e subsídios, algo que não existe mais por conta do ajuste fiscal”, avalia.

Sarquis entende que estamos vivendo um período de transição na composição do PIB, que sai do protagonismo estatal para a predominância da iniciativa privada. Para o economista, a recuperação que temos visto desde 2017 se dá exclusivamente via empresas.

“De fato, isso explica por que o crescimento mais lento. Serviços e o consumo estão mostrando aumentos em população ocupada, massa salarial e crédito, mas o mercado de trabalho é o último a responder. Se em 2020 crescermos 2% como é previsto pela maioria dos economistas, teremos uma queda mais acentuada no desemprego”, avisa.

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Setor externo

Do lado da oferta, o único ponto preocupante do PIB foi o setor externo. Os economistas Dalton Gardimam, Ricardo Mauad e Bernardo Keiserman, do Bradesco BBI, destacam que a atividade econômica terá dias melhores daqui para frente, com o crescimento do investimento das empresas, principalmente no setor de construção.

Entretanto, os gastos do governo e as exportações provavelmente não ajudarão a melhorar os dados econômicos nos próximos trimestres em vista dos desafios fiscais e da desaceleração global.

Os economistas Zeina Latif e Marcos Ross da XP Investimentos (veja o relatório completo clicando aqui), destacam que o estoque, por sua vez, está finalmente aumentando um pouco depois de apresentar números negativos por vários trimestres consecutivos, podendo pesar nos investimentos do quarto trimestre.

Eles também ressaltaram, por outro lado, o impacto negativo do cenário internacional. “O setor externo continua contribuindo negativamente para o PIB. Isso se deve principalmente à desaceleração generalizada do comércio global, que prejudica nossas exportações, e a uma alta participação das importações na cesta dos consumidores, devido a uma profunda estagnação da indústria nacional.”

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