Dados do gigante asiático

PIB da China no 1º trimestre supera projeções, mas fraqueza em março levanta riscos

Analistas dizem que os dados de abril devem ser piores, com lockdowns no centro comercial de Xangai e em outros locais pesando sobre a atividade

Por  Reuters

PEQUIM, 18 Abr (Reuters) – A economia da China desacelerou em março pressionada pelo consumo, setor imobiliário e exportações, tirando o brilho de números melhores do que o esperado do crescimento no primeiro trimestre e piorando o cenário em meio às restrições pela Covid-19 e à guerra na Ucrânia.

O Produto Interno Bruto expandiu 4,8% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano anterior, mostraram nesta segunda-feira dados da Agência Nacional de Estatísticas, superando a expectativa de analistas de ganho de 4,4% e acelerando ante taxa de 4,0% no quarto trimestre.

Um resultado forte para os dois primeiros meses do ano ajudou a impulsionar os números, com avanço de 1,3% entre janeiro e março sobre os três meses anteriores, contra expectativa de alta de 0,6% e ganho revisado de 1,5% no trimestre anterior.

Analistas dizem que os dados de abril devem ser piores, com lockdowns no centro comercial de Xangai e em outros locais pesando sobre a atividade, o que levou alguns a alertarem para os riscos de recessão.

“Mais impactos de lockdowns são iminentes, não apenas porque há um atraso na entrega de necessidades diárias, mas também porque ampliam a incerteza em relação a operações de serviços e indústria que já impactaram o mercado de trabalho”, disse Iris Pang, economista-chefe do ING.

Os dados sobre a atividade em março mostraram que as vendas no varejo tiveram a maior contração na base anual desde abril de 2020 devido às restrições para conter a Covid em todo o país. As vendas recuaram 3,5%, contra expectativa de queda de 1,6% e aumento de 6,7% em janeiro-fevereiro.

O mercado de trabalho já mostrava sinais de estresse em março, normalmente um mês forte já que as fábricas retomam as contratações após o feriado do Ano Novo Lunar. A taxa nacional de desemprego ficou em 5,8% em março, mais elevada desde maio de 2020, enquanto a taxa das 31 principais cidades chegou ao recorde de 6,0%.

O setor industrial teve desempenho melhor, com a produção expandindo 5,0% em relação a março do ano anterior, contra projeção de ganho de 4,5%. Mas o resultado ainda ficou abaixo da alta de 7,5% registrada nos dois primeiros meses do ano.

O investimento em ativo fixo subiu 9,3% no primeiro trimestre na comparação anual, contra aumento esperado de 8,5% mas abaixo da expansão de 12,2% dos dois primeiros meses do ano.

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