Mais aperto

PIB de 1,1% e Selic a 9,75% em 2022 são as novas projeções do Credit

Cenário prospectivo de crescimento econômico em 2022 tornou-se mais desafiador pela alta da inflação e aperto das condições financeiras

Diante um cenário de inflação surpreendendo para cima, o Credit Suisse revisou suas principais projeções macroeconômicas para 2022, de PIB, inflação e juros.

Em relatório, a instituição avalia que os indicadores de curto prazo mostram uma manutenção da recuperação econômica devido à contínua normalização do lado da oferta na economia.

No entanto, “o cenário prospectivo para o crescimento econômico em 2022 tornou-se mais desafiador devido ao menor poder aquisitivo causado pela alta da inflação e pelo aperto das condições financeiras”.

PIB menor

Assim, o Credit Suisse reduziu sua projeção de crescimento do PIB para o próximo ano de uma alta de 1,5% para uma expansão de 1,1%, mas manteve a projeção, para este ano, de incremento de 5,3%.

“Os riscos continuam inclinados para o lado negativo devido ao agravamento da crise hídrica e à possibilidade de escassez de energia. Calculamos que um corte obrigatório no consumo de energia elétrica de 10% reduziria o crescimento do PIB em 1,6 pontos percentuais”, destacaram, em relatório, Solange Srour e Lucas Vilela.

Inflação maior

Enquanto isso, a instituição revisou para cima suas projeções para o IPCA tanto nos cenários para 2021 (de 8,1% para 8,5%) quanto para 2022 (de 5,0% para 5,2%).

“Temos comentando o quão desafiador é o cenário de inflação, mas ainda estamos surpresos com a forte aceleração da inflação”, escreveram.

Conforme o Credit, há pressões de maiores preços de alimentos e gasolina, assim como para bens industriais e maiores reajustes de serviços específicos.

Especialmente para 2022, a revisão se baseia no efeito da alta inércia sobre salários e preços de serviços.

Selic revisada

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Por fim, o Credit avalia que o Banco Central vem adotando um “ajuste monetário mais rápido”, considerando o período de início do ciclo de aperto.

Dessa forma, a autoridade monetária tem acelerado a alta da taxa de juros na tentativa de ancorar as expectativas de inflação e, possivelmente, reduzir o aumento generalizado da taxa de política monetária.

Assim, o relatório aponta que o Banco Central precisará aumentar ainda mais a taxa de juros nominal, à medida que o cenário de inflação piorar.

“Esperamos agora quatro aumentos consecutivos de 100 pontos-base e um aumento final de 50 pontos-base na taxa básica de juros Selic, elevando-a para 8,25% e 9,75% no final de 2021 e 2022”, concluiu.

Condução dos juros

Nesta semana, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, surpreendeu o mercado ao afirmar que a taxa básica de juros, seria usada no combate à inflação, mas com ressalvas

“Vamos levar a Selic aonde precisar, mas não vamos reagir sempre a dados de alta frequência”, disse o chairman.

Às vésperas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a declaração causou divergência entre os analistas, uma queda nos juros futuros e uma revisão de expectativas para o ciclo de aperto monetário.

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