Pessimismo domina indústria e já atinge 23 setores em março, diz CNI

Maioria dos 29 segmentos pesquisados ficou mais desconfiado por causa dos juros, que ainda permanecem altos, apesar da redução de 0,25 ponto percentual

Anna França

Indústria (Foto: Reprodução do Instagram/@cnibr)
Indústria (Foto: Reprodução do Instagram/@cnibr)

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A falta de confiança na indústria brasileira se espalhou em março e já atinge 23 dos 29 segmentos, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O número é o maior desde janeiro de 2025 e indica um avanço da desconfiança ao longo de 2026.

Em janeiro deste ano, eram 20 setores sem confiança. Em fevereiro, o número subiu para 21 e agora chegou a 23, deixando apenas seis segmentos ainda otimistas.

O  principal fator a pressionar a confiança entre os empresários continua sendo o nível elevado de juros, segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo. “A recente redução da taxa básica não foi suficiente para mudar o quadro, porque os juros ainda estão muito altos, e a queda de apenas 0,25 ponto percentual é insuficiente para reverter a falta de confiança e estimular a atividade industrial”, afirma.

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Confiança cai em todo o país

O recuo do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) foi generalizado e atingiu todas as regiões do Brasil. No Sul e no Sudeste, o índice caiu para 44,8 pontos e 46 pontos, respectivamente, aprofundando o pessimismo. Já no Centro-Oeste e no Norte, a queda foi ainda mais intensa, chegando a 2,6 e 1,6 pontos, fazendo com que as duas regiões deixassem o campo da confiança e passassem para o da desconfiança.

O Nordeste foi a única exceção. Apesar de uma leve queda, de 53,1 para 52,8 pontos, a região ainda mantém empresários confiantes. Pelo indicador da CNI, resultados abaixo de 50 pontos sinalizam falta de confiança.

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Pequenas e médias lideram piora

A perda de confiança também aparece quando se analisa o porte das empresas. Entre as pequenas indústrias, o ICEI caiu de 47,6 para 46,1 pontos. Nas médias, recuou de 49,3 para 47 pontos. Já nas grandes empresas, a queda foi mais moderada, de 49,2 para 48,7 pontos, mas ainda mantendo o índice abaixo da linha de confiança.

O avanço do pessimismo indica um ambiente mais desafiador para a indústria nos próximos meses. Com crédito caro e atividade enfraquecida, empresários tendem a adiar investimentos, reduzir produção e adotar uma postura mais cautelosa, conforme a CNI.

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro