Até então a previsão era iniciar na quarta

Pazuello diz que vai antecipar o início da vacinação no país para esta segunda-feira

Em meio à pressão dos governadores e após Doria aplicar a 1ª vacina do país, Saúde antecipa de quarta para esta segunda o início do programa de imunização

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO – Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, afirmou que a vacinação contra a Covid-19 será iniciada nesta segunda-feira (18), a partir das 17h, em todo o país. O anúncio foi feito em uma cerimônia no centro de logística do Ministério da Saúde, em Guarulhos, São Paulo.

Durante o evento, ele deu início à distribuição das doses da CoronaVac, vacina do Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, para os estados do país. Neste domingo (17), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial do imunizante, além da vacina de Oxford/AstraZeneca. 

“A todas as famílias das vítimas, recebam a nossa solidariedade, é muito difícil perder alguém que amamos. Está dado o primeiro passo para a maior campanha de vacinação do mundo”, afirmou o ministro durante o evento.

A decisão de antecipar a vacinação foi oficializada depois que os governadores pressionaram o ministro para que ele adiantasse a campanha, que a princípio começaria apenas na quarta-feira (20).

Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás, criticou o início da vacinação em São Paulo e disse que começar antes na região colocava os demais estados em situação de “segunda categoria”, de acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo.

Neste domingo, logo depois da aprovação do uso emergencial da CoronaVac, o governo de São Paulo, em uma cerimônia simbólica no Hospital das Clínicas, aplicou a primeira vacina do país fora dos testes de estudos clínicos. Em seguida, o governo paulista anunciou que a vacinação no estado seria iniciada nesta segunda-feira.

Alguns governadores estiveram presentes no evento do Ministério da Saúde nesta segunda, mas João Doria (PSDB), governador de São Paulo, não compareceu, mandando o vice Rodrigo Garcia (DEM) em seu lugar.

Em entrevista ao canal GloboNews, Garcia afirmou apenas que Doria tinha compromissos em meio ao início da vacinação no estado e não conseguiu comparecer no evento.

O clima entre o governo paulista e o governo federal não é bom. Durante coletivas de imprensa que aconteceram de forma quase simultânea neste domingo, Doria e Pazuello trocaram mais farpas.

O ministro da Saúde afirmou que o governo paulista fez um golpe de marketing ao iniciar a vacinação simbólica em profissionais da saúde logo após a aprovação da vacina. Em resposta, Doria respondeu que o governo federal faz “golpes de morte”.

“Poderíamos, num ato simbólico ou numa jogada de marketing, iniciar a primeira dose em uma pessoa, mas, em respeito a todos os governadores, prefeitos e todos os brasileiros, o Ministério da Saúde não fará isso”, disse Pazuello, em recado para o governador de São Paulo.

“Sobre golpe de marketing, eu respondo. O governo federal, há 11 meses, faz golpes de morte contra os brasileiros com negacionismo, recomendação do uso da cloroquina, falta de vacina, seringas, agulhas, orientação e de bons exemplos. Frases lamentáveis como ‘e daí’, ‘pressa para que’, ‘toma cloroquina que passa’, ‘lavo minhas mãos’. Isso sim é golpe”, retrucou Doria.

Situação atual

A partir da liberação de uso emergencial da Anvisa, de imediato o Brasil tem à disposição as 6 milhões de doses prontas da Coronavac. Ainda, há 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford que virão da Índia. Mas os indianos não liberaram as doses acordadas no último dia 16, como era previsto. Assim, o governo federal depende da CoronaVac para iniciar o programa de imunização.

No início da manhã desta segunda, caminhões refrigerados começaram a deixar o centro de distribuição escoltados por carros da Polícia Federal. Cem caminhões farão o transporte da vacina para outros estados. Além disso, as doses também serão distribuídas em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e companhias aéreas, que farão o transporte gratuitamente.

Das 6 milhões de doses, o estado de São Paulo recebeu 1.349.200 doses. O restante foi dividido entre os demais estados conforme o tamanho de suas populações.

Novo pedido de uso emergencial

Também na coletiva do governo paulista neste domingo, Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, afirmou que o instituto entrará com um novo pedido de uso emergencial na Anvisa nesta segunda, solicitando autorização para o uso das 4 milhões de dose da CoronaVac já envasadas no Brasil.

A expectativa, segundo o diretor, é de que a aprovação seja rápida, já que a documentação é praticamente a mesma das doses importadas da China. O objetivo do Butantan é distribuir essas 4 milhões de doses da mesma forma proporcional para os estados do país.

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