Política monetária

‘Pandexit’ é próximo grande desafio da recuperação, diz BIS

Como retirar os estímulos que os bancos centrais colocaram na economia global sem causar um colapso?

Por  Bloomberg -

(Bloomberg) — Os bancos centrais e governos foram rápidos em apoiar a economia mundial com a chegada da pandemia de Covid-19. Segundo o Banco de Compensações Internacionais, o maior desafio será retirar o apoio sem precedentes implementado.

Com a recuperação das economias, as autoridades precisarão adotar medidas fiscais mais direcionadas para preservar o espaço das políticas, disse a instituição com sede em Basileia em relatório anual divulgado na terça-feira, juntamente com um discurso intitulado “Bancos Centrais Enfrentam os Desafios do Pandexit”.

À luz da aceleração das pressões sobre os preços ao consumidor – que provavelmente são temporárias -, as autoridades também precisarão encontrar um equilíbrio entre assegurar aos mercados que estão dispostas a apoiar o crescimento e preparadas para combater a inflação.

“A política monetária terá que ser flexível e prudente”, disse no discurso Agustín Carstens, gerente-geral do BIS e ex-presidente do banco central mexicano. “Políticas acomodativas ainda são necessárias, embora a recuperação possa ser rápida. A comunicação cuidadosa será muito importante para facilitar a viagem.”

Bancos centrais ao redor do mundo começam a frear a generosidade dos últimos 16 meses com a consolidação da retomada, embora de forma desigual. O Federal Reserve pouco a pouco se aproxima do momento de reduzir o estímulo, enquanto bancos centrais no Reino Unido, Canadá, Noruega, Suécia, Coreia do Sul e Nova Zelândia estão entre os que traçam um caminho para a retirada. México, Hungria e República Tcheca elevaram as taxas de juros na semana passada, após aumentos no Brasil, Turquia e Rússia este ano.

Com um histórico de instar formuladores de políticas a controlarem os crescentes preços dos ativos, o BIS destacou que os preços dos imóveis subiram mais do que os fundamentos sugerem durante a pandemia, o que torna o setor mais vulnerável caso os juros aumentem.

O BIS destacou outros desafios, tanto de curto quanto de longo prazo, como a maior insolvência corporativa e a necessidade de reguladores garantirem que os bancos continuem emprestando para empresas sem assumir muitos riscos.

A mudança dos padrões de demanda, à medida que mais pessoas optam por trabalhar em casa permanentemente, e o ajuste da política de orientação para que investidores não foquem apenas em eventos diários apresentarão mais desafios, segundo o BIS.

Para se preparar para crises futuras, as autoridades precisarão recuperar sua margem de manobra nas políticas fiscal e monetária. A pressão crescente sobre os bancos centrais para manter as taxas de juros baixas e ajudar governos a administrarem as finanças pode complicar essa tarefa, de acordo com o BIS.

Se as taxas de juros voltarem aos níveis da década de 1990, os custos do serviço da dívida podem superar as máximas dos tempos de guerra, disse o relatório.

“As tarefas de longo prazo se concentram na reconstrução das margens de segurança e nas interações entre as políticas monetária e fiscal”, disse Carstens. “É essencial colocar as finanças públicas em um caminho sustentável e preservar a independência dos bancos centrais.”

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