Fique de olho

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Bolsas mundiais sobem com indicação de data para retomada das negociações comerciais entre EUA e China; no Brasil, investidor monitora indicadores

arrow_forwardMais sobre
Shutterstock
Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 0,80%, as 105.319 pontos, perto da máxima do pregão, puxado por bancos em meio a uma melhora no ambientes de negócios aqui e lá fora.

Hoje, os mercados futuros de Nova York indicam um pregão de alta, mesma tendência dos índices europeus, com a expectativa de que as conversas para um acordo comercial entre EUA e China sejam retomados em Washington, em 10 de outubro, segundo relataram à CNBC três fontes próximas às negociações.

No Brasil, o destaque é o resultado da votação no Supremo Tribunal Federal (STF) favorável à tese jurídica defendida por advogados de investigados na Lava Jato que pode anular várias condenações oriundas das investigações, segundo avaliação da força-tarefa de procuradores que atuam na operação.

Aprenda a investir na bolsa

Entre os indicadores, serão conhecidos no Brasil dados desemprego, inflação e resultado fiscal. Já o presidente Jair Bolsonaro comentou em sua live semanal a decisão do Tribunal Superior negando diligência para investigar suposto impulsionamento ilegal em massa de mensagens de aplicativos de mensagens.

Confira os destaques desta sexta-feira:

1. Bolsas Internacionais

A expectativa de retomada das conversas em 10 de outubro para a chegada de um acordo comercial entre EUA e China ajuda os mercados, em meio ao cenário de incerteza política após o pedido de impeachment contra Donald Trump.

Segundo relatório publicado ontem, o agente da CIA que colaborou para as investigações contra Trump não se limitou apenas a denunciá-lo por conta da pressão do líder ucraniano para obter dados contra o rival Joe Biden. O documento mostra que a Casa Branca teria também tentado abafar o caso.

Na Ásia, os mercados fecharam de forma mista, com as bolsas chinesas avançando diante das expectativas comerciais mais positivas, mesmo com a piora nos indicadores da segunda maior economia global.

Os lucros industriais da China recuaram 2% no mês de agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, informou o departamento de estatísticas, após ganhos em julho (+2,6%) e junho (+3,1%).

PUBLICIDADE

Na Europa, as preocupações seguem com o Brexit. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker afirmou à imprensa alemã que o Reino Unido seria responsabilizado por um saída do bloco sem um acordo.

Já membros do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra sinalizaram ser “bastante plausível” que o próximo passo do banco seja de um corte nas taxas de juros, mesmo que o país evite um Brexit sem acordo.

Entre os indicadores, o índice de sentimento da zona do euro atingiu 101,7 em setembro, ante 103,1 de agosto, no patamar mais baixo desde fevereiro de 2015.

Entre as commodities, os preços do petróleo operam de forma mista, enquanto os futuros do minério de ferro estão em alta.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h37 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,35%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,35%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,30%

*DAX (Alemanha), +0,85%
*FTSE (Reino Unido), +1,19%
*CAC-40 (França), +0,35%
*FTSE MIB (Itália), +0,24%

*Hang Seng (Hong Kong), -0,33% (fechado)
*Xangai (China), +0,11% (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,77% (fechado)

PUBLICIDADE

*Petróleo WTI, -0,18%, a US$ 56,31 o barril
*Petróleo Brent, -0,49%, a US$ 62,43 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian avançavam 1,58%, cotados a 642,50 iuanes, equivalentes a US$ 90,22 (nas últimas 24 horas).

*Bitcoin, US$ 8.104,48, -4,34%
R$ 33.795, -1,27% (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV divulga às 8h00 o IGP-M de setembro, enquanto as 9h00 o IBGE informa a Pnad Contínua. Já a CNI publica os dados do índice nacional de expectativa do consumidor.

As 10h00, será a vez do Tesouro Nacional anunciar o resultado do Governo Central de agosto e o Banco Central, às 10h30, divulgar a nota do mercado aberto de agosto. A Aneel informa também a nova bandeira tarifária.

Nos Estados Unidos, serão conhecidos, às 9h30, os dados de renda pessoal, gastos com consumo e os índices de preços gastos (PCE). No mesmo horário saem também os dados de encomendas de bens duráveis.

3. STF e Lava-Jato

Por 7 votos a 3, o plenário do STF formou maioria e decidiu que advogados de delatados na operação Lava Jato podem apresentar as alegações finais, última fase antes da sentença, após a manifestação da defesa dos delatores. Atualmente, o prazo é simultâneo para as duas partes, conforme o Código de Processo Penal (CPP).

Na prática, a maioria dos ministros entendeu que o delatado pode falar por último nesta fase, mesmo não estando previsto em lei. O entendimento foi baseado no princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Com a decisão, condenações em que as defesas não falaram por último no processo poderão ser anuladas, e o processo deverá voltar à fase de alegações finais na primeira instância da Justiça.

PUBLICIDADE

A repercussão da decisão nos casos que estão em tramitação em todo o país deverá ser decidida pela Corte na semana que vem. A expectativa fica por conta, especialmente, do ex-presidente Lula, preso desde abril de 2018, que poderia se beneficiar. O ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine já havia se beneficiado deste entendimento.

A Coluna do Estadão pontua que na avaliação de quem acompanha os bastidores do Supremo, independente de qual seja a modulação final definida pela Corte, poderá ocorrer anulação de sentenças proferidas no escopo da Lava Jato, com efeito mais simbólico do que prático. A questão foi um recado claro e expresso de ministros até pouco tempo alinhados com a operação, de que é preciso rever o instrumento da delação.

Já o Painel da Folha ressalta que a tese de Alexandre de Moraes, que arrebatou outros seis ministros, deixou implícito em sua exposição, ao final do julgamento, que já estabeleceu como linha de corte para a revisão dos processos na Lava Jato. Para ele, segundo relata a coluna, quem não solicitou o direito nem recorreu de negativa na primeira instância perdeu a oportunidade jurídica de reivindica-la.

Ainda sobre o STF, o Estadão traz entrevista com o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, dizendo que, no momento mais tenso de sua passagem pelo cargo, chegou a ir a uma sessão do tribunal com a intenção de matar a tiros o ministro Gilmar Mendes. “Não ia ser ameaça, não. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar”, afirmou.

Segundo Janot, logo após ele apresentar uma suspeição contra Mendes, o ministro difundiu “uma história mentirosa” sobre sua filha. “E Isso me tirou do sério”, disse.

Ainda em destaque, foi deflagrada nesta manhã a 66ª fase da Operação Lava Jato, que apura lavagem de dinheiro praticada por doleiros e funcionários do Banco do Brasil, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF).

4. Bolsonaro e governo

O presidente Jair Bolsonaro comentou a ação formalizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), por abuso de poder econômico, por conta de disparos em massa via WhatsApp.

“O TSE apurou e a decisão saiu hoje (ontem). Hoje (ontem), o TSE decidiu que não houve disparo em massa de Whatsapp pelo candidato Jair Bolsonaro. Então, ponto final”, afirmou o presidente durante sua live semanal no Facebook. A decisão, porém, ainda passará por julgamento do plenário do TSE.

Durante a live, Jair Bolsonaro voltou a classificar a denúncia como fake news. “Então houve uma fake news da Folha e depois deu trabalho ao TSE. Agora, tinha que ter uma punição para o PT, tinha que ter uma punição para a Folha de S. Paulo, os caras não podem publicar as coisas, é comum isso daí”, afirmou.

Para o jornal Folha de S.Paulo, que publicou reportagem sobre o tema, o presidente distorceu as informações. Segundo a publicação, Bolsonaro teria dito erroneamente que a corte eleitoral havia tomado a decisão sobre o caso. O jornal ressaltou que não houve qualquer decisão nesse sentido.

Mais tarde, pelo Twitter, o presidente voltou ao assunto, reforçando que havia sido “absolvido” pelo TSE.

Sobre o governo, o Valor traz que o governo manterá as aposentadorias e pensões pagas pelo INSS atreladas ao salário mínimo, mas pretende desvinculá-lo dos benefícios assistenciais, como abono salarial e o seguro-desemprego. O Valor destaca que a desindexação poderá gerar economia superior a R$ 50 bilhões.

Já o Estadão destaca que o ministério da Economia propõe uma revisão parcial na política de desoneração dos produtos da cesta básica para evitar a concessão de benefícios a famílias de alta renda e consumidores de carnes nobres hoje contemplados pela isenção de tributos.

5. Noticiário Corporativo

A Delta Air Lines anunciou que venderá sua fatia minoritária de 9% na Gol, enquanto pagará US$ 1,9 bilhão – US$ 16 por ação – para adquirir uma participação de 20% na Latam, a maior companhia aérea da América Latina. Além disso, a americana investirá mais US$ 350 milhões em uma parceria com a empresa chilena.

Com receio de que a crise das queimadas afete as exportações de carnes bovinas, grandes frigoríficos como JBS, Minerva e Marfrig preparam campanhas institucionais, relata o Estadão. A ideia seria a de veicular anúncios em publicações em países como Arábia Saudita, Egito e Alemanha.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

Invista contando com a melhor assessoria do mercado: abra uma conta gratuita na XP.