Cadeia parada

Oferta de carne nos EUA sob risco com mais frigoríficos fechados

As paralisações em unidades de abate causam efeito cascata nas cadeias de suprimentos de carne e raras oscilações nos preços

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(Bloomberg) — Primeiro, era apenas um frigorífico sendo fechado. Mas, agora, são pelo menos sete grandes processadoras de carne nos Estados Unidos cujas operações foram paralisadas em questão de semanas. E todas aquelas vozes que antes asseguravam aos americanos que os suprimentos estavam garantidos agora soam como um coro de preocupação sobre a falta de produtos.

Houve uma avalanche de notícias em pouco mais de 24 horas. A Tyson Foods fechou dois de seus principais frigoríficos de suínos. O número de casos continua aumentando, inclusive no Canadá, onde associações do setor dizem que, provavelmente, parte do que geralmente é exportado para os EUA ficará no país. E o presidente da JBS, a maior produtora de carne do mundo, alertou sobre déficits.

O governo dos EUA também divulgou números mensais sobre os estoques de alimentos congelados, que se destacam no contexto das paralisações. Um dado em particular pode convencer até os mais céticos.

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Os suprimentos combinados de carne suína, carne bovina e de aves em frigoríficos de armazenamento a frio são equivalentes a aproximadamente duas semanas da produção total de carne nos EUA. Como a maioria das paralisações dos frigoríficos devem durar aproximadamente 14 dias por razões de segurança, isso aumenta o potencial de déficits.

Com os recentes fechamentos da Tyson, cerca de 18% da capacidade de abate de suínos está totalmente desativada, e também há desacelerações em unidades de carne suína, bovina e de aves em todo o país.

“Quando uma instalação é fechada, a disponibilidade de proteína para consumidores em todo o país diminui”, disse Steve Stouffer, responsável pela Tyson Fresh Meats. “Os consumidores verão um impacto no supermercado à medida que a produção diminuir. Isso também significa a perda de um mercado vital para pecuaristas.”

Na quarta-feira, a Tyson disse que iria fechar frigoríficos de suínos em Iowa e Indiana. Os surtos também levaram à paralisação de unidades da JBS em Minnesota e Colorado, e da Smithfield Foods em Dakota do Sul. Um frigorífico da Tyson em Columbus Junction, Iowa, retomou algumas operações após uma paralisação anterior, assim como uma unidade da National Beef Packing no estado.

“Poderá ter um problema de oferta lá na frente dependendo do tamanho e do número de plantas fechando concomitantemente”, disse Gilberto Tomazoni, presidente da JBS, em webinar organizado pela XP Investimentos. Embora neste momento seja difícil prever as consequências, a continuidade das paralisações pode reduzir a oferta de carne, disse.

“O vírus não vai embora amanhã”, afirmou.

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As paralisações em unidades de abate causam efeito cascata nas cadeias de suprimentos de carne e raras oscilações nos preços: produtos acabados disparam enquanto pecuaristas recebem muito menos pelos animais.

As paralisações não se limitam aos EUA.

Quase metade da capacidade de processamento de carne bovina do Canadá foi interrompida após a paralisação de uma unidade da Cargill nesta semana em Alberta. Um frigorífico da JBS na província também reduziu a produção. Muitos pecuaristas da região não têm para quem vender o gado. O Canadá exporta cerca de 50% de sua carne bovina.

“A solução, claro, é garantir que os frigoríficos possam voltar a funcionar o mais rápido possível”, disse Marie-France MacKinnon, porta-voz do Conselho Canadense de Carne, em e-mail.

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