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“O equilíbrio fiscal é muito relevante para a condução da nossa política monetária”, diz Roberto Campos Neto

Segundo o presidente do BC, custo/benefício do distanciamento social tem caído e o Brasil se destacou em relação às medidas econômicas adotadas na pandemia

SÃO PAULO — O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, enfatizou nesta terça-feira (24) que o equilíbrio fiscal “é muito relevante” para a condução da política monetária brasileira. Ele fez a abertura do evento Melhores Empresas da Bolsa, do InfoMoney e Stock Pickers. O evento é online e gratuito e vai até dia 26. Para participar, basta se cadastrar aqui. 

“O Brasil fez muito mais em termos de gastos do que os países emergentes. Já vinha numa situação fiscal mais frágil e termina com uma situação ainda bem mais frágil, mas conseguiu evitar bastante a redução de crescimento”, disse Campos Neto, sobre os esforços do país para amenizar os efeitos negativos da pandemia de coronavírus na economia.

Ele destacou pontos positivos, mas também citou que o risco fiscal continua alto e tem sido precificado pelo mercado. “O Brasil no mundo emergente se destaca bastante. Teve a menor queda do PMI. Nosso PMI foi um dos que mais se recuperou no mundo”, afirmou.

Em sua apresentação, ele mostrou um gráfico indicando que países que tiveram respostas fiscais maiores têm menores reduções em crescimento esperado. Já quem gastou menos, como Índia e México, tiveram maiores reduções em crescimento esperado.

“O Banco Central do Brasil foi o primeiro que fez uma medida de liquidez, lá atrás, quando nem tinha sido declarada pandemia ainda. São 17,5% do PIB de liquidez”, disse. “E na parte de suporte ao crédito de capital, o Brasil também foi o que fez a maior liberação de capital do sistema bancário. Estamos falando de 20% do PIB”, completou.

Campos Neto ressaltou as medidas nunca feitas antes pelo Banco Central para dar liquidez aos bancos em troca de crédito privado. “Nós criamos um instrumento que fazia isso. Foi muito bom para equilibrar essa equação de risco. Foi muito bom porque tinham fundos, tinham muitos fundos que não tinham como atender às janelas de resgate”, disse.

Esses programas de liquidez no sistema bancário em troca de crédito privado, segundo ele, vão continuar. “Isso vai ser uma mudança estrutural que nós vamos fazer. Já ia acontecer antes da pandemia, a pandemia acelerou e nós acabamos fazendo de uma forma diferenciada. Mas é muito importante entender que para esse mercado de crédito privado crescer é importante que o banco possa usar o crédito na carteira como veículo de liquidez se houver uma necessidade, como foi feito agora”, afirmou.

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Distanciamento social

Embora o componente de risco ainda pese nas decisões do mercado, o presidente do Banco Central comentou que o desempenho da Bolsa hoje, com a disparada de mais de 2% do Ibovespa, mostra que o pior já pode ter passado. “Hoje pode ter sido o primeiro dia que o mercado começou a incorporar nos preços uma possibilidade um pouco maior de solução [da pandemia] através da vacina”, disse.

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Campos Neto destacou que a segunda onda de Covid na Europa, apesar de ser maior em número de casos, é menor em número de mortes. Ele citou que os investidores têm reagido aos anúncios recentes de governos sobre cronogramas de vacinação, após testes mostrarem eficácias altas de diferentes tipos de vacinas.

“Nós olhamos a efetividade dos distanciamentos sociais e ela tem sido cada vez menor, principalmente na população mais jovem”, disse. “Sobre o custo econômico do distanciamento social versus a efetividade, o que a gente vê mais recentemente é uma relação/custo benefício inferior ao que se via no passado.”

Ações, BDRs e Pix

Campos Neto destacou o aumento de investidores pessoas físicas e emissões no mercado de renda variável. “Ações foi para onde o mercado migrou”, disse. “Temos um crescimento na tomada de risco, acho que por causa dos juros mais baixos. Foi uma mudança que veio para ficar.”

Ele citou ainda o aumento das negociações com BDRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na B3): “é um movimento que veio para ficar e reflete a nossa realidade macroeconômica”, disse. Vale lembrar que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mudou a regra para esse tipo de ativo financeiro recentemente, tornando-o acessível aos investidores pessoas físicas.

O presidente do BC comentou ainda sobre o lançamento recente do Pix, citando as mais de 82 milhões de chaves que já foram criadas até agora, e o volume negociado que tem crescido além do que o próprio Banco Central esperava. “As taxas de transações incompletas têm diminuído bastante. A ideia é que a experiência do usuário seja boa. A forma de pagar seja tão fácil como mandar uma mensagem por WhatsApp”, disse.

Ele destacou que o Pix nasceu como um instrumento de pagamento digital, mas tem outras funcionalidades que devem ser adotadas com o tempo. “O Pix não tem nada a ver com imposto. Ele abrange 15% dos pagamentos. Não acreditamos que vai deixar de ter transação com cartões de crédito e outras formas de pagamentos”, afirmou.

Ainda sobre a agenda do BC, Campos Neto comentou os esforços para regularizar o open banking no país, no qual as pessoas poderão usar seus próprios dados a seu favor na hora de pedir um empréstimo, por exemplo. Ele citou ainda que o BC está analisando a criação de uma moeda digital, que entre outras coisas reduziria o custo do sistema financeiro.

“Essa pandemia gerou uma aceleração tecnológica. O maior instrumento de democratização que existe hoje em dia é a tecnologia”, disse. Campos Neto encerrou sua palestra falando sobre ESG, sigla para preocupações ambientais, sociais e de governança, em inglês. “Os governos precisam entender que grande parte da demanda da sociedade hoje é que a retomada seja sustentável.”

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