Núcleo da inflação do consumo (PCE) nos EUA vai a 2,5% em abril, dentro do esperado

O indicador é o preferido do Federal Reserve, o banco central dos EUA

Paulo Barros Agências de notícias

Publicidade

O núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos foi a 2,1% no mês de abril, após alta modesta de 0,1% à medida que desacelerou a busca para fugir dos preços mais altos com as tarifas de importação, segundo dados do Departamento de Comércio do país divulgados nesta sexta-feira (30).

O resultado ficou em linha com o projeto por analistas, que aguardavam um avanço mensal de 0,1% e anual de 2,5% no núcleo do PCE, que exclui preços de alimentos e energia, que são mais voláteis.

A inflação foi benigna em abril, com os varejistas provavelmente ainda vendendo o estoque acumulado antes das tarifas. O dado cheio do PCE veio um pouco abaixo das expectativas. O índice subiu também 0,1% em abril ante março, com avanço de 2,1% na comparação anual. Analistas previam acréscimo mensal de 0,2% no mês e anual de 2,2%.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

O PCE e, mais especificamente, o núcleo do PCE é o indicador preferido do Federal Reserve, o banco central dos EUA, para orientar a condução da política monetária.

Economistas esperam que a inflação acelere neste ano, à medida que as tarifas aumentem os preços dos produtos. As expectativas de inflação dos consumidores para daqui a um ano têm aumentado.

Efeito das tarifas

A compra preventiva de produtos antes da entrada em vigor das tarifas do presidente Donald Trump ajudou a aumentar os gastos no mês anterior. A maioria das tarifas foi implementada, embora as taxas mais altas sobre alguns países tenham sido adiadas até julho.

As tarifas sobre as importações chinesas foram reduzidas de 145% para 30% até meados de agosto. Economistas argumentam que a política comercial agressiva de Trump desacelerará drasticamente o crescimento econômico neste ano e aumentará a inflação, preocupações que foram repetidas pelo Federal Reserve.

A ata da reunião de 6 e 7 de maio do Fed, publicada na quarta-feira, observou que “os participantes julgaram que os riscos baixistas para o emprego e a atividade econômica e os riscos altistas para a inflação haviam aumentado, refletindo principalmente os possíveis efeitos dos aumentos de tarifas”.

O banco central dos EUA tem mantido sua taxa de juros na faixa de 4,25% a 4,50% desde dezembro.

Continua depois da publicidade

Na quarta-feira, um tribunal de comércio dos EUA impediu que a maioria das tarifas de Trump entrasse em vigor, em uma decisão abrangente de que o presidente excedeu sua autoridade.

Elas foram temporariamente restabelecidas por um tribunal federal de apelações na quinta-feira, acrescentando outra camada de incerteza sobre as perspectivas da economia.

(com Reuters)

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos