Não há relação mecânica entre políticas monetárias de EUA e Brasil, diz diretor do BC

"No curto prazo, não quer dizer que (se) o Fed está deixando de baixar juros, a gente vai deixar de baixar juros aqui", disse Paulo Picchetti

Gabriel Garcia

O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, em reunião de ministros de Finanças e BCs do G20 (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)
O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, em reunião de ministros de Finanças e BCs do G20 (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

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O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, reforçou nesta segunda-feira que não há relação uma mecânica entre as políticas monetárias dos Estados Unidos e do Brasil.

“No curto prazo, não quer dizer que (se) o Fed está deixando de baixar juros, a gente vai deixar de baixar juros aqui”, comentou Picchetti, durante evento pela internet. “Nem o contrário”, acrescentou.

O diretor pontuou que no longo prazo há uma “relação de equilíbrio” entre as atuações dos BCs.

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Em suas comunicações oficiais e nas falas do presidente do BC, Roberto Campos Neto, a autoridade monetária já vem registrando que a relação entre os juros dos EUA e do Brasil não é mecânica. A indicação é de que os diretores estarão atentos aos mecanismos de transmissão do cenário externo para a conjuntura brasileira.

Em sua apresentação, Picchetti também voltou a abordar a preocupação do BC com a melhora do mercado de trabalho e, em especial, da renda, que podem pressionar a inflação no Brasil. Ao mesmo tempo, ele pontuou que não existe uma transmissão direta dos rendimentos salariais para preços de serviços.

“Nesta questão do mercado de trabalho, tem muitas dimensões que também ficaram incertas estruturalmente depois da pandemia, tanto lá (nos EUA) quanto cá (no Brasil)”, comentou Picchetti. “No Brasil, você tem um debate sobre quais foram os impactos das reformas – principalmente a reforma trabalhista – sobre produtividade e sobre custo do trabalho.”

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“Então, pode ser que isso daqui esteja também explicando como que o aumento de rendimentos aqui não foi até agora seguido de um aumento na mesma proporção de inflação de serviços. Se isso for verdade, esta é uma boa notícia”, acrescentou.

Picchetti participou nesta segunda-feira do webinar “Desafios de Política Monetária”, promovido pela FGV/EESP.