Corte de salário

Metade dos trabalhadores formais deve precisar de auxílio do governo, diz estudo

A situação fica ainda mais grave no cenário pessimista: 85% dos trabalhadores formais sofreriam os efeitos

Carimbo de admissão ou demissão com carteira de trabalho
(Gabriel Ramos/Getty Images)

SÃO PAULO – Cerca de 50% dos trabalhadores formais devem ser afetados pelas medidas de corte de salário, jornada ou suspensão de contrato previstos na Medida Provisória (MP 936/2020) anunciada pelo governo para tentar mitigar os efeitos da crise gerada pelo coronavírus. Os dados são da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado.

Segundo o estudo, esse é o cenário otimista e teria um impacto fiscal R$ 34 bilhões. Considerando o cenário base, cerca de dois terços dos trabalhadores seriam atingidos pelos cortes e o impacto fiscal seria de R$ 40,5 bilhões no ano.  A situação fica ainda mais grave no cenário pessimista: 85% dos trabalhadores sofreriam os efeitos e o impacto seria de R$ 52,9 bilhões.

Segundo dados do IBGE de março, o Brasil contava com 33,06 milhões de empregados no regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Se metade for impactado pelos medidas, significa que quase 17 milhões de brasileiros poderão ter algum tipo de corte financeiro durante a pandemia.

Auxílio Emergencial

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O estudo mostra, ainda, que o auxílio emergencial de R$ 600 deve custar, em três meses, entre R$ 60 e R$ 98 bilhões para a União. O montante já vem sendo disponibilizado gradualmente por meio da Caixa Econômica Federal.

Segundo a IFI, a cobertura do auxílio dependerá da capacidade do governo de atingir todo o público alvo, formado pela população vulnerável fora do mercado de trabalho formal. “Este grupo inclui tanto cidadãos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), mais fáceis de serem identificados, quanto os não inscritos, para os quais o governo disponibilizou meios digitais de inscrição”, diz.

Supondo uma cobertura completa, o estudo estima uma despesa adicional de R$ 94,3 bilhões em três meses, valor próximo aos R$ 98,2 bilhões alocados pelo governo para o programa através da Medida Provisória 937/2020. Veja:

 

Despesas

Em meio à gestão da crise, o governo deve aumentar a despesa federal em R$ 239,2 bilhões, na comparação com o orçamento de novembro de 2019, segundo o estudo. E desse total, R$ 224 bilhões ou mais de 90% desse adicional se enquadra nos chamados créditos extraordinários, ou seja, dinheiro usado para o enfrentamento da pandemia e seus impactos na economia.

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A maior parte desse valor de créditos extraordinários se destina à proteção social das pessoas afetadas pelos desdobramentos da emergência de saúde pública sobre o funcionamento da economia. O auxílio emergencial às pessoas mais vulneráveis e o benefício aos trabalhadores formais respondem por mais de dois terços do total – podendo chegar a R$ 98,2 bilhões.

Veja qual o valor destinado para cada medida anunciada:

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