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O acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) foi assinado neste sábado (17) em Assunção, Paraguai, que preside temporariamente o bloco sul-americano.
A cerimônia teve início por volta das 12h (horário de Brasília), no Grande Teatro José Asunción Flores do Banco Central do Paraguai – mesmo local onde o tratado fundador do Mercosul foi assinado em 1991. A assinatura aconteceu por volta das 13h50 (horário de Brasília).
O acordo é o mais significativo já alcançado pelo Mercosul em acesso de mercado e vai criar a maior área de livre-comércio do mundo, após 26 anos de negociações. Juntos, Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto de aproximadamente US$ 22 trilhões de euros. O acordo deve atingir o máximo de liberalização prevista em 15 anos.
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Participaram do evento os presidentes do Paraguai, Santiago Peña; do Panamá, José Raúl Mulino; da Argentina, Javier Milei; do Uruguai, Yamandú Orsi; da Bolívia, Rodrigo Paz; da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen; e do Conselho Europeu, António Costa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à cerimônia e foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O lado europeu foi representado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Em discurso, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse que a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia é um “feito histórico” e “envia um sinal claro em favor do comércio internacional como fator de cooperação e crescimento em um cenário marcado por tensões”.
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Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, afirmou que o momento de assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia “não é somente sobre aproximar países, mas sobre conectar continentes”. Von der Leyen destacou que o acordo cria a maior zona de livre comércio do mundo, representando 20% do PIB global.
Na cerimônia desta tarde, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o acordo estabelece uma “parceria com enorme potencial econômico” e “com profundo sentido geopolítico”. Segundo o chanceler, o pacto “representa um baluarte, erguido com sólida convicção no valor da democracia e da ordem multilateral, diante de um mundo abatido pela imprevisibilidade, pelo protecionismo e pela coerção”.
“Em um cenário internacional marcado por incertezas e tensões, este acordo envia uma mensagem clara e positiva ao mundo. Acreditamos na cooperação, no diálogo e em soluções construídas de forma coletiva. O comércio é uma das dimensões da parceria entre o Mercosul e a União Europeia, lastreada em valores comuns. Democracia, Estado de direito, respeito aos direitos humanos e proteção do meio ambiente estão plenamente refletidos no acordo que assinamos hoje”, destacou.
O acordo, que tem sido altamente polêmico na Europa, deve agora obter a aprovação do Parlamento Europeu. Ele também deve ser ratificado pelos congressos dos países membros do Mercosul, no que se espera que seja um processo mais tranquilo.
(com Estadão Conteúdo e Reuters)