Economia

Mercados emergentes ainda têm margem para afrouxamento monetário

Cerca de 90% da aceleração esperada deve vir de apenas oito países: Argentina, Brasil, Índia, Irã, México, Rússia, Arábia Saudita e Turquia

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(Bloomberg) — Bancos centrais de mercados emergentes devem começar 2020 afrouxando novamente a política monetária, o que pode sustentar a economia mundial em um momento em que países desenvolvidos têm pouca margem de manobra.

A Argentina reduziu a taxa básica de juros na quinta-feira, depois de o presidente do banco central, Miguel Pesce, ter sinalizado apoio aos cortes. Em entrevista em Bangkok na semana passada, o governador do Banco da Tailândia disse que vai tomar outras medidas para reduzir restrições contra saídas de capital a fim de segurar a valorização da moeda.

“Os bancos centrais de mercados emergentes ainda têm espaço para cortar os juros no início de 2020, já que a inflação permanece próxima do limite inferior da meta e das médias históricas”, afirmou Hak Bin Chua, economista sênior do Maybank Kim Eng Research, em Cingapura.

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O Banco Mundial prevê recuperação modesta do crescimento global para 2,5% em 2020, em relação ao ritmo de 2,4% do ano passado, em grande parte devido à estabilização em um grupo de grandes economias emergentes. Cerca de 90% da aceleração esperada deve vir de apenas oito países: Argentina, Brasil, Índia, Irã, México, Rússia, Arábia Saudita e Turquia.

A Indonésia deve continuar revertendo o aperto da política monetária em 2018 depois de ter cortado os juros em 100 pontos-base no ano passado. Coreia do Sul, Índia, Malásia e Filipinas também tendem a reduzir ainda mais as taxas de juros este ano.

A China deve tomar outras medidas de afrouxamento, mesmo com a estabilização do crescimento na esteira do acordo comercial com os EUA. Neste mês, o banco central reduziu a taxa de reserva para instituições financeiras com o objetivo de ajudar a estimular os empréstimos.

“O espaço político é limitado, mas existem países que ainda têm alguma margem”, disse Tuuli McCully, chefe para economia da Ásia-Pacífico no Scotiabank, em Cingapura.

Pressão dos alimentos

Além das taxas de juros, bancos centrais estão implementando medidas macroprudenciais para resolver desequilíbrios em setores específicos da economia.

Um exemplo: a Tailândia deve manter a taxa de juros, já em mínimas históricas, inalterada, mas tomar medidas para garantir que pequenas e médias empresas tenham liquidez suficiente.

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Certamente, juros já baixos, bolsões de inflação, níveis altíssimos de dívida e tensões geopolíticas complicam o cenário.

Tanto a China quanto a Índia travam uma batalha contra o aumento dos preços dos alimentos, que atingiram produtos básicos como carne de porco e cebola. É improvável que a dor de cabeça da aceleração dos preços desapareça rapidamente. O Goldman Sachs estima “um número crescente de surpresas inflacionárias nos próximos dois meses”, depois que as Filipinas registraram na semana passada um salto surpreendente dos preços, o maior ganho desde 2012.

No Brasil, a inflação subiu acima da meta do Banco Central em dezembro, também puxada pelos preços dos alimentos, o que reduziu as apostas de que o BC vai dar seguimento ao ciclo recorde de afrouxamento monetário.

Uma análise das taxas de juros reais das economias mostra as complicações causadas pela inflação. Enquanto o juro real de 4,42% do México sinaliza espaço para mais cortes, os bancos centrais de alguns dos principais mercados emergentes – e algumas das maiores economias desenvolvidas – já estão em território de taxas negativas.

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