Membro do Fed vê incerteza e diz que empresas hesitam entre investir e cortar custos

Mesmo com dados econômicos fortes, dirigente do Fed aponta neblina de incertezas e alerta para riscos inflacionários, geopolíticos e de emprego no médio prazo

Estadão Conteúdo

O presidente do Federal Reserve Bank de Richmond, Thomas Barkin, participa do Conselho de Relações Exteriores em Nova York, EUA, em 1º de abril de 2025. Reuters/Jeenah Moon
O presidente do Federal Reserve Bank de Richmond, Thomas Barkin, participa do Conselho de Relações Exteriores em Nova York, EUA, em 1º de abril de 2025. Reuters/Jeenah Moon

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Apesar de dados econômicos robustos, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Richmond, Thomas Barkin, destacou que o clima entre empresas e consumidores é marcado por uma “neblina densa” de incertezas. “Embora os dados estejam bons, é justo dizer que o clima não está. A questão tem sido a incerteza”, afirmou em discurso preparado para um evento nesta quinta-feira, 26.

Segundo Barkin, a indefinição tem mantido os líderes empresariais em compasso de espera. “Não estão cortando gastos, mas também não estão contratando nem investindo”, observou.

Para o dirigente, o cenário não é alarmante, mas também não inspira confiança. “Minha previsão do tempo não é de céu claro, mas também não é de tempestade. Há riscos no emprego e na inflação.”

Barkin ressaltou que os dados econômicos seguem sólidos. “O CPI de maio foi encorajador. O crescimento do emprego segue saudável e o desemprego estável”, disse. No entanto, segundo ele, o sentimento não acompanha os números. “O otimismo pós-eleição entre pequenas empresas e CFOs se dissipou.”

Entre os fatores que alimentam a incerteza, Barkin citou “tarifas com a União Europeia (UE), orçamento federal, Oriente Médio – tudo segue imprevisível”.

Ele alertou ainda para os efeitos inflacionários das tarifas. “As empresas estão repassando custos aos clientes. O impacto sobre a inflação medida tem sido modesto, mas a tendência é de aumento”, disse. O presidente da distrital de Richmond ainda acrescentou que espera que os efeitos nos preços comecem a aparecer em julho e agosto.

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Do lado do emprego, Barkin apontou que se o repasse de custos falhar, “as empresas cortarão custos, inclusive com demissões”. Ele ponderou, porém, que a redução na imigração pode aliviar pressões sobre o desemprego.

Com juros altos e incertezas geopolíticas inibindo investimentos, ele alertou para riscos de longo prazo. “Minha preocupação maior não é o ‘clima de amanhã’, mas o ambiente de negócios adiante”, mencionou. Sobre política monetária, reiterou que o Fed seguirá paciente e que pode “esperar com paciência e reagir com clareza quando a visibilidade melhorar”.