Lula firma acordos com Moçambique e defende retomada do BNDES em projetos no exterior

Presidente quer ampliar presença de empresas brasileiras em infraestrutura e energia no país africano e reforça parceria em segurança alimentar e proteção ambiental

Estadão Conteúdo

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, gesticula enquanto fala durante uma coletiva de imprensa no segundo dia da Cúpula de Líderes do G20 em Joanesburgo, África do Sul, em 23 de novembro de 2025. REUTERS/Esa Alexander
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, gesticula enquanto fala durante uma coletiva de imprensa no segundo dia da Cúpula de Líderes do G20 em Joanesburgo, África do Sul, em 23 de novembro de 2025. REUTERS/Esa Alexander

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta segunda-feira, 24, acordos de cooperação entre o Brasil e Moçambique nas áreas de comércio, aviação, socioeconômica, saúde e capacitação diplomática. Ao lado do presidente de Moçambique, Daniel Chapo, o Lula defendeu novamente que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) volte a financiar projetos no exterior de empresas brasileiras.

“Nenhum grande país consegue exportar serviços sem oferecer opções de crédito. Estamos trabalhando para o BNDES recuperar a capacidade de financiar a internacionalização das empresas brasileiras. O fluxo de comércio que o Brasil mantém com Moçambique é muito menor do que com outros países de língua portuguesa. Isso é injustificável entre dois mercados tão familiares”, disse Lula, durante evento para assinatura de acordos de cooperação entre o Brasil e Moçambique.

Lula citou a infraestrutura como umas das áreas que poderiam ter uma maior participação de empresas brasileiras. “Moçambique é um país em desenvolvimento que ainda possui lacuna de infraestrutura a suprir. Seu crescimento depende de portos, estradas, usinas e linhas de transmissão. O Brasil tem empresas dinâmicas com condições de contribuir”, disse.

O presidente brasileiro também mencionou a produção de alimentos. “Ninguém melhor do que o Brasil para contribuir também com a segurança alimentar de Moçambique. Com tecnologia adequada, é possível ampliar a produtividade da savana africana sem comprometer o meio ambiente”. Pouco antes, Daniel Chapo afirmou que Moçambique ainda sofre para garantir segurança alimentar para seus habitantes.

Lula defendeu ainda uma cooperação na área de transição energética e de proteção a biomas florestais. “O Brasil está pronto para colaborar com Moçambique na produção de biocombustíveis, aliando geração de empregos e redução da dependência de combustíveis fósseis”, afirmou.

O brasileiro aproveitou o discurso para comentar sobre a atuação da Polícia Federal, em um momento em que o Congresso discute mudanças na segurança pública. “A Política Federal brasileira é reconhecida internacionalmente por sua capacidade de rastrear ativos ilícitos e combater a lavagem de dinheiro”, falou.

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Em seu discurso, o petista defendeu uma reaproximação entre os países e afirmou que governos brasileiros anteriores se distanciaram do país africano. “Nossa amizade vagou muito tempo sonâmbula. O Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a independência de Moçambique. São cinco décadas de relações diplomáticas, mas imersos em desafios próprios, passamos da irmandade à indiferença. Até que, há 20 anos, vivemos um grande despertar”, falou o petista.

Título de doutor honoris

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de evento para assinatura de acordos de cooperação entre Brasil e Moçambique. Os acordos envolvem a área de comércio, aviação, socioeconômica, saúde, educação e capacitação diplomática. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também participa da cerimônia.

Durante a visita, Lula ainda participará de fórum com empresários e receberá o título de doutor honoris causa da Universidade Pedagógica de Moçambique. A previsão é que embarque de volta ao Brasil às 13h20, no horário de Brasília.