Pandemia

Lockdowns contra Covid se espalham um ano após choque com China

Reino Unido está no meio de seu 3° lockdown enquanto enfrenta uma nova cepa do coronavírus e China, que registra seu maior surto desde o início da pandemia

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(Marcelo Hernandez/Getty Images)

(Bloomberg) — Um ano depois do isolamento da cidade chinesa de Wuhan que chocou o mundo, a tática agora parece ser uma ferramenta duradoura para combater o coronavírus em quase todos os países.

Quando o primeiro grande lockdown dos tempos modernos foi implementado na China em 23 de janeiro de 2020, no início da pandemia de Covid-19, na época foi considerado de eficácia não comprovada e impensável, particularmente por governos democráticos que buscavam evitar as implicações de violar direitos humanos ao limitar a liberdade de movimento dos cidadãos em uma escala tão grande.

No entanto, quase 12 meses depois, o Reino Unido está no meio de seu terceiro lockdown enquanto enfrenta uma nova cepa do coronavírus. Na Austrália, a descoberta de um caso em Brisbane levou a três dias de confinamento. E a China, que registra seu maior surto desde o início da pandemia, com mais de 500 casos, isolou três cidades nos arredores de Pequim neste mês.

“Antes da Covid-19, havia um forte discurso de saúde global que argumentava contra lockdowns e quarentenas em massa semelhantes. Esta é apenas uma linha de pensamento que a atual pandemia transformou”, disse Nicholas Thomas, professor associado de segurança de saúde da Universidade da Cidade de Hong Kong.

“Na medida do possível, os lockdowns vão se tornar parte do kit de ferramentas essencial para os governos usarem nos surtos em andamento e também no futuro”, disse.

Medidas de tempos de guerra

A velocidade com que a China isolou milhões de pessoas quando a pandemia surgiu marcou a primeira vez que a medida foi tomada em escala tão grande nos tempos modernos.

Até o ano passado, confinamentos em grande escala eram sinônimos das ondas de peste bubônica que varreu a Europa a partir do século 14. Mesmo durante a pandemia de gripe do início do século 20, nenhum isolamento foi imposto de forma centralizada. A China, no entanto, impôs três grandes lockdowns na história recente: durante um surto de peste bubônica no nordeste do país em 1901, dois por curtos períodos após o terremoto de Sichuan em 2008, e outro durante um surto de peste bubônica na província de Gansu, em 2014.

Os países que ficaram surpresos com o lockdown de Wuhan tiveram que fazer a mesma coisa alguns meses depois, quando o coronavírus se espalhou de forma incontrolável.

Depois que uma doença infecciosa atinge um certo número de pessoas, os confinamentos não podem ser evitados, porque nenhuma outra medida pode conter a propagação, disse Jiang Qingwu, professor de epidemiologia da Universidade Fudan, em Xangai.

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De acordo com autores de um estudo conduzido pela Bloomberg Economics comparando como os países democráticos se saíram contra os mais autoritários ao combater a pandemia, “um lockdown rápido e rigoroso é o tipo de reação automática que surge mais naturalmente em regimes autoritários do que em democráticos”.

Com as vacinações sendo implementadas rapidamente nos principais países ocidentais e na China, a esperança é que os lockdowns serão muito menos comuns em 2021, embora uma grande incerteza permaneça sobre quanto tempo levará para vacinar uma população mundial suficiente para reabrir com segurança a economia global.

Apesar das implicações econômicas, os lockdowns devem ser o legado da Covid-19, que continuariam a ser implementados durante surtos de doenças altamente transmissíveis no futuro, especialmente porque agora são um conceito conhecido para pessoas em todos os lugares pela primeira vez em um século.

“A quarentena restritiva em si não é uma invenção e sua aplicação remonta à Grande Peste na época medieval”, disse Yanzhong Huang, diretor do Centro de Estudos de Saúde Global da Universidade Seton Hall, de Nova Jersey. “Mas é irônico que um método tão antigo continue sendo o mais eficaz, apesar do enorme progresso das ciências médicas.”

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