Crise

Líbano: explosão em importante porto aprofunda colapso econômico de país que sofre com apagões e escassez

Além da morte de centenas de pessoas, país ainda enfrenta problemas prolongados de emprego e renda

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(Crédito: Reprodução YouTube)

SÃO PAULO – Uma explosão no que autoridades disseram ser um depósito de nitrato de amônia destruiu a zona portuária de Beirute, a capital do Líbano, na tarde de ontem (18h no horário local e 12h no horário de Brasília), deixando mais de 100 mortos e 4 mil feridos.

De acordo com o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, havia 2,75 toneladas de nitrato de amônia, um fertilizante agrícola, armazenados no porto e o incêndio atingiu esse material, causando a catástrofe.

O nitrato de amônia, combinado com alguns tipos de combustível, também pode ser utilizado como explosivo. Grupos terroristas como o Talibã diversas vezes se utilizaram do material para fabricar bombas caseiras.

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Sismólogos calculam que o impacto da explosão foi equivalente a um terremoto de 3,3 pontos na escala Richter. O presidente do Líbano, Michel Aoun, anunciou um pacote de 100 bilhões de liras (US$ 66 milhões) para arcar com os prejuízos causados pelo desastre.

O porto atingido em cheio pela tragédia é o mais importante do país, sendo rota de chegada e saída de em torno de 70% das importações e exportações do Líbano e era geopoliticamente relevante.

Ele está localizado em uma área estratégica que liga os mercados comerciais da Ásia, Europa e África, o que reduz a duração das viagens de navegação comercial em comparação com outras rotas. Além disso, há conexão direta com 56 portos nos três continentes, enquanto recebe e exporta mercadorias com outros 300 portos no mundo inteiro.

Em 2018, o Porto de Beirute recebeu cerca de 7,05 milhões de toneladas de mercadorias, representando 72% do total de importações de mercadorias por via marítima, em comparação com as exportações de quase um milhão de toneladas, ou 78% do volume total de exportações.

Com o desastre, fica ainda pior a situação econômica do país, que há tempos enfrenta o empobrecimento da população. Em julho, reportagem do Washington Post relatava que partes do Líbano tinham eletricidade por apenas duas ou três horas por dia e a população enfrentava escassez de pães devido à dificuldade do governo em importar trigo.

Em torno de 20% das 6,8 milhões de pessoas que vivem no país são refugiados, segundo informações da Organização das Nações Unidas (ONU), a maioria proveniente da Síria, que vive uma guerra civil desde 2011.

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Há ainda o problema da hiperinflação e da depreciação da lira, que hoje vale 80% menos do que em outubro do ano passado. As negociações de um empréstimo de US$ 10 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estão paralisadas.

O descontentamento da população levou no ano passado à demissão do primeiro-ministro Saad Hariri, apoiado pelo Ocidente, culminando na ascensão de Diab, alinhado com o Hezbollah e o Movimento Patriótico Livre.

Agora, com a tragédia, conforme o governo, são cerca de 300 mil moradores que estão desabrigados e os danos são estimados em, no mínimo, US$ 3 bilhões, mas que pode superar os US$ 5 bilhões. Além disso, há o temor do avanço da fome no país, com a destruição dos silos de armazenagem de grãos.

Prisão domiciliar para autoridades do porto 

Em meio às investigações sobre o que desencadeou a tragédia, o governo e a Justiça do Líbano determinaram a prisão domiciliar de todos os responsáveis pela supervisão e gestão dos armazéns no porto de Beirute desde 2014.

Conforme o ministro da Informação, Manal Abdel Samad, a ação visa “qualquer pessoa que esteja envolvida na estocagem do nitrato de amônio”, apontado como principal causa do incidente.

Apesar das investigações ainda em andamento, já se sabe que estavam sendo armazenados cerca de 2.700 toneladas de nitrato de amônio de maneira incorreta em um dos armazéns da área.

A quantidade teria sido apreendida há pouco mais de seis anos e, até a explosão, nada tinha sido feito para retirar o produto do local. O material, de acordo com dados divulgados pela emissora “Al Jazeera”, estava em um navio de propriedade russa que ia da Geórgia para Moçambique, teve problemas técnicos e fez uma parada em Beirute.

Como a embarcação apresentava avarias, autoridades do Líbano impediram que a viagem prosseguisse, os tripulantes deixaram o barco por medo de que pudesse haver uma explosão a bordo e depois foram repatriados. Já o material foi colocado em um armazém no porto.

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Documentos divulgados pela emissora “Al Jazeera” apontam que as autoridades sabiam da existência e dos riscos do armazenamento no local desde 2014. A televisão informou que os funcionários alfandegários enviaram ao menos cinco cartas à Justiça entre 2014 e 2017 questionando o que deveriam fazer com a carga.

Vale ressaltar, contudo, que ainda não há uma confirmação oficial de que a carga desse navio é de fato o material que causou a explosão. Além disso, não se sabe o que teria detonado a explosão, se foi um ato intencional ou acidental.

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