Leftbank tenta unir investimento e ideologia de esquerda

Agora, simpatizantes da esquerda têm uma fintech e uma operadora de telefonia celular à sua disposição

Estadão Conteúdo

Leftbank (Foto: divulgação)

Publicidade

Um novo projeto de negócios quer unir investimento e ideologia. Agora, simpatizantes da esquerda têm uma fintech (startup de serviços financeiros) e uma operadora de telefonia celular à sua disposição.

Desde dezembro, o Leftbank está no ar, com a oferta de serviços bancários para pessoas físicas e empresas. Entre os produtos, há pagamento de boletos, transferências, envio de dinheiro por SMS e cartões sem anuidade. São quase 2 mil correntistas. Já o Leftfone vende serviço de telefonia digital a todas as cidades do País, desde 27 de abril.

“A ideia não é fazer discriminação, mas aproximar grupos de interesse que se inter-relacionam em bolhas: é como se esses consumidores fossem comprar uma marca de roupa com a qual se identificam”, diz o Marco Maia (PT-RS), ex-presidente da Câmara, diretor-geral do Leftbank.

Masterclass

As Ações mais Promissoras da Bolsa

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de valorização para os próximos meses e anos, e assista a uma aula gratuita

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

Apesar de mirarem a esquerda e priorizarem temas como meio ambiente e questões sociais, as empresas nasceram para dar lucro. A Leftfone, por exemplo, não exige fidelização, não cobra multas em caso de saída do plano, aceita consumidores que tenham pendências de crédito e promete atendimento rápido no call center bem como preços mais em conta.

Os investimentos nas empresas foram pequenos, em torno de R$ 500 mil. Na verdade, Maia se aproveitou do fato de plataformas financeiras e serviços de telecom terem virado commodities para customizá-los a seus públicos. Os serviços devem começar a se pagar conforme forem vendidos, diz ele. No caso do Leftfone, o desenvolvimento foi organizado pelo Grupo Cuore, especializado em soluções para negócios de nicho.

Especialistas dizem que a iniciativa pode ser uma boa ideia – apesar de estar limitada pelo público potencial e de a proposta ir contra tendências de inclusão. “Politicamente, é um marcador de mercado interessante”, diz Humberto Dantas, cientista político e pesquisador da FGV-SP.

Continua depois da publicidade

“O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) não defende a compra do pequeno? Grupos ligados a sustentabilidade não defendem o mesmo com relação às empresas com esse discurso? É uma iniciativa legítima de conversar com quem já é convertido”, compara Dantas.

O também cientista político Leandro Cosentino, professor do Insper, diz que a iniciativa aproveita o comportamento de manada para criar a “polarização afetiva, em vez de raivosa”. “Sempre que há momentos intensos de polarização política, a tendência é reforçar laços com iguais”, afirma.

É exatamente na exploração da ideologia que está a estratégia de crescimento. Apenas Maia tem mais de 1 milhão de seguidores no Facebook. “Temos muitos influenciadores digitais de esquerda e vamos acioná-los para dar escala ao negócio.”

Gargalos

Há, porém, alguns limitadores, segundo os especialistas. Primeiro, a empresa não desenvolve soluções ou investe em inovação: apenas reúne produtos já existentes, sem estar atenta às mudanças rápidas da economia. Além disso, vai contra a tendência de diversidade e inclusão. Para Fabio Mariano Borges, coordenador na ESPM e especialista em tendências, “as empresas estão mais diversas, e fede a naftalina ir contra a pluralidade”.

Em 2021 você pode fazer da Bolsa a sua nova fonte de renda. Inscreva-se e participe gratuitamente da Maratona Full Trader, o maior evento de Trade do Brasil.