Lagarde vê “incerteza inédita” com guerra, mas mantém meta de 2% no BCE

Presidente do BCE diz que natureza intermitente do conflito dificulta medir o choque de energia, mas garante compromisso com estabilidade de preços e ajustes conforme novos dados chegarem

Estadão Conteúdo

O presidente do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, posa com a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, durante as Reuniões de Primavera de 2026 do FMI e do Banco Mundial, em Washington, D.C., EUA, em 17 de abril de 2026. REUTERS/Ken Cedeno
O presidente do Federal Reserve dos EUA, Jerome Powell, posa com a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, durante as Reuniões de Primavera de 2026 do FMI e do Banco Mundial, em Washington, D.C., EUA, em 17 de abril de 2026. REUTERS/Ken Cedeno

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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, ressaltou, em discurso preparado para recepção anual da Associação de Bancos Alemães, nesta segunda-feira, 20, o ambiente de incerteza e volatilidade resultante do conflito no Oriente Médio. Apesar da situação desafiadora, ela defendeu que o BC da zona do euro está comprometido com o mandato de estabilidade de preços e garantiu que a inflação retornará a 2% no médio prazo.

“Definir a política monetária em ambiente incerto é um desafio. Agiremos conforme a situação exigir e precisamos coletar mais informações antes de tirarmos conclusões definitivas”, disse ela. “Hoje, enfrentamos mais incertezas sobre o rumo que a Europa tomará do que em qualquer outro momento desde então. E grande parte dessa incerteza vem de fora de nossas fronteiras”, ponderou.

Lagarde avaliou que a natureza intermitente do conflito – “guerra, cessar-fogo, negociações de paz, seu colapso, um bloqueio naval, seu levantamento, seu restabelecimento” – torna excepcionalmente difícil avaliar a duração e a profundidade das consequências.

Para a chefe do BCE, não há caminho fácil de volta ao ponto que se estava antes de guerra no Oriente Médio, mas o futuro ainda depende de quanto a guerra irá se prolongar.

Segundo ela, se o conflito for resolvido rapidamente, o choque direto no preço da energia poderá ficar abaixo das expectativas – e o impacto econômico será contido. A perspectiva, no entanto, permanece frágil e cenários piores ainda são possíveis, de acordo com Lagarde.