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O ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos deve ser mais persistente e os juros podem ter pelo menos mais uma elevação até o fim do ano, de acordo com a ata da reunião do Federal Open Market Comittee (Fomc) do Federal Reserve, o banco central americano, divulgada nesta quarta-feira (7).
“A ata do Fomc referente à decisão de setembro confirma a mudança para uma postura mais restritiva, diante da persistência da inflação, da atividade sólida e de um mercado de trabalho próximo do pleno emprego”, avalia Leandro Padulla, economista do ASA.
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Ele destaca que todos os participantes apoiaram a alta de 25 bps na última reunião, enquanto a maioria avaliou que ao menos outro aumento seria apropriado até o fim do ano.
Na avaliação de Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, o documento indicou que o mercado de trabalho deixou de ser uma preocupação persistente, e o Fed passou a mirar na inflação, que segue com riscos altistas. Os efeitos desinflacionários do boom de inteligência artificial saíram do documento, para entrar as preocupações de curto prazo que vão além do choque de oferta.
O Fomc tem mais duas reuniões agendadas para este ano, marcadas para 27 e 28 de outubro e 8 e 9 de dezembro. A ata não indica a preferência dos integrantes do comitê sobre quando haveria mais um aumento de juro, e reforçou que a decisão vai depender de dados indicativos da economia.
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Juros ‘levemente restritivos’
Na avaliação de Padulla, chamou a atenção que vários participantes indicaram que a taxa de juros ainda não era restritiva o suficiente. Além disso, o staff revisou para cima as projeções de inflação entre 2026 e 2028 e passou a prever convergência para a meta de 2% somente em 2029. Atualmente, a inflação está em 3,4% no acumulado de 12 meses até agosto, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI).
“Direção e timing” na política de juros dos EUA
Para Leonardo Mendes, economista, financial advisor Manchester, a ata indica que o Fed não considera o trabalho de combate à inflação concluído, apesar de divergir no diagnóstico.
O documento mostrou que parte do Comitê interpretou a alta de juros feita em setembro como um movimento preventivo para evitar que choques de energia, tarifas e outros fatores de oferta contaminar as expectativas e a inflação de forma mais persistente, segundo Mendes.
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Já outro grupo mais hawkish viu sinais de que a pressão sobre os preços pode estar começando a refletir também uma demanda ainda forte, o que justificaria um aperto monetário adicional.
“Eu separaria duas coisas: a direção e o timing. A direção continua sendo hawkish, porque o Fed mantém aberta e relativamente provável a possibilidade de uma nova alta de juros. Mas o timing ficou mais flexível. Os dados de emprego e inflação divulgados depois da reunião vieram mais fracos e permitem ao Fed observar um pouco mais a economia antes de tomar uma nova decisão”, afirma Mendes.
Pausa em outubro, com aperto por mais tempo
Neste contexto, Mendes avalia que o cenário de pausa em outubro é mais provável, com a projeção para dezembro permanecendo em aberto.
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A pausa, neste caso, não deverá ser vista como o fim do ciclo de aperto, mas indica que não há intenção de fazer uma sequência agressiva de aumentos de juros.
“Em resumo, vejo a ata como hawkish, mas não agressiva. O Fed mantém a porta aberta para mais uma alta em 2026, provavelmente em dezembro, porém pode utilizar a reunião de outubro para observar os próximos dados e avaliar quanto do aperto necessário já está sendo produzido pela própria curva de juros”, diz Mendes.
Para Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, o texto mostrou uma preocupação grande coma inflação, que segue elevada e acima da meta há mais de cinco anos – e com vários membros do Comitê assumindo a possibilidade de mais pressões inflacionárias. Por outro lado, há uma visão de manutenção de um bom desempenho da atividade econômica e do mercado de trabalho.
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“O texto da ata é condizente com a possibilidade de mais uma alta de juros à frente, que provavelmente deve ocorrer nesse ano – na nossa visão, na reunião de dezembro”, afirma Mecchi.