Reduzindo expectativas

Itaú revisa projeções e vê queda de 0,5% do PIB em 2022 com alta mais forte de juros

A expectativa é de que a Selic seja elevada em 1,5 ponto percentual na próxima reunião, para 7,75%, encerrando o ciclo de alta a 11,25%

Por  Lara Rizério -

O Itaú foi mais uma instituição a revisar as suas projeções macroeconômicas para o Brasil em meio ao cenário de deterioração fiscal, que exigirá taxas de juros mais altas e acabará impactando a economia.

“Notícias sobre o aumento dos gastos fiscais aumentaram as dúvidas sobre o futuro do arcabouço fiscal no Brasil, que desde 2016 tem sido baseado em um teto de gastos ajustável. Embora a discussão sobre dominância fiscal pareça exagerada no momento, é verdade que, sem uma âncora fiscal crível, a tarefa do Banco Central de manter a inflação na meta se torna mais difícil”, aponta o banco.

Segundo os economistas, taxas de juros mais altas levarão a uma atividade econômica mais fraca, e agora veem recuo moderado de 0,5% do PIB em 2022, ante expectativa anterior de crescimento de 0,5%.

Para esta semana, os economistas esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentará a taxa Selic em 1,5 ponto percentual, para 7,75% ao ano em sua próxima reunião (que se encerra na quarta-feira), seguido de outro aumento de 1,5 ponto na reunião de dezembro, e encerrará o ciclo com duas altas adicionais de 1,0 ponto, a 11,25% ao ano.

Já para o câmbio, a projeção é de taxa de câmbio em R$ 5,50 por dólar no final de 2021 e 2022, contra R$ 5,25 no cenário anterior. “Apesar das taxas de juros mais altas, a maior incerteza fiscal irá, como indicado pela recente reação do
mercado, limitar o espaço para a valorização do real”, apontam.

Para os economistas, um real mais fraco aumentará as pressões inflacionárias, mas o controle de danos do Banco Central deve limitar um contágio maior, com a inflação recuando para 4,3% em 2022, de 9,0% em 2021.

O Itaú avalia que uma rápida retomada da agenda de reformas, incluindo medidas como uma reforma administrativa ampla, que fortaleceria a flexibilidade e resiliência fiscais, poderia ajudar a aliviar as condições financeiras e reduzir a incerteza.

“Nesse cenário, a maior confiança do consumidor e das empresas pode levar a um crescimento mais rápido no próximo ano. Mas as reformas precisam avançar”, destaca a equipe do banco.

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