Itaú passa a projetar corte da Selic a partir de março, e faz novo alerta para fiscal

O banco espera que a Selic seja reduzida inicialmente em 0,25 ponto percentual, e que a taxa básica encerre 2026 em 12,75% ao ano

Paulo Barros

Agência do Itaú no Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Pilar Olivares/Arquivo)
Agência do Itaú no Rio de Janeiro (Foto: REUTERS/Pilar Olivares/Arquivo)

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O Itaú Unibanco revisou suas projeções macroeconômicas para 2026 e passou a projetar que o ciclo de cortes de juros deve começar em março, ante a estimativa anterior de janeiro. O banco se une à posição que já se tornou maioria no mercado, que espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa Selic no atual patamar de 15% na reunião da próxima quarta-feira (28).

Segundo precificado pela Opção de Copom, negociada na B3, 87% dos participantes do mercado esperam pela manutenção, contra 13% que ainda guardam esperanças pelo início dos cortes agora. Há um mês, 62% apostavam na manutenção.

O time de macroeconomia do Itaú espera que a Selic seja reduzida inicialmente em 0,25 ponto percentual a partir de março, e que a taxa básica encerre 2026 em 12,75% ao ano e 2027 em 11,75% – ou seja, ainda em nível considerado restritivo.

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Os analistas veem o Copom ganhando confiança de que a política monetária atual está funcionando, com sinais de desaceleração da atividade e melhora na inflação. Ainda assim, o banco avalia que o cenário pede cautela, já que a queda da inflação está concentrada nos bens, enquanto os preços de serviços seguem pressionados.

PIB, inflação e câmbio

O Itaú revisou para cima a projeção de crescimento da economia em 2026, de 1,7% para 1,9%. A mudança reflete um cenário externo mais favorável e o impacto de estímulos fiscais e parafiscais, como gastos públicos e medidas de crédito. Para 2027, a projeção de crescimento é de 1,7%, com menos estímulos fiscais e uma política monetária menos restritiva.

A projeção para o IPCA em 2026 é de 4,0%, mesma taxa esperada para 2027. O banco prevê desaceleração nos preços de bens e serviços, enquanto os alimentos devem subir, influenciados pelo ciclo de proteínas.

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Para o dólar, o Itaú projeta cotação de R$ 5,50 em 2026 e de R$ 5,70 em 2027. Um dólar mais fraco no cenário internacional tende a ajudar moedas emergentes, mas a incerteza doméstica e o cenário eleitoral devem manter o prêmio de risco elevado.

Segundo o banco, a deterioração estrutural das contas externas limita uma valorização mais forte do real.

Fiscal: risco maior em ano eleitoral

No campo fiscal, o Itaú projeta déficit primário de 0,8% do PIB em 2026. O principal risco apontado é a adoção de novos estímulos à demanda em meio à disputa eleitoral, com risco de despesas acima do limite do arcabouço fiscal, por meio de exceções ou flexibilizações das regras.

O banco avalia que a eleição de 2026 tende a ser competitiva. Apesar da necessidade de um ajuste fiscal relevante, estimado em cerca de 4 pontos percentuais do PIB para estabilizar a dívida pública, os preços dos ativos indicam uma probabilidade próxima de 50% de que esse ajuste seja implementado no próximo governo.

Para estabilizar a dívida em torno de 80% do PIB, o Itaú estima que seria necessário um superávit primário próximo de 3% do PIB no médio prazo.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)