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A inflação no Brasil desacelerou mais do que o esperado em junho, com queda nos preços dos alimentos e custos mais baixos da energia elétrica residencial, e marcou o menor nível em oito meses, reforçando expectativas de novo corte de juros pelo Banco Central em agosto.
Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,16%, após alta de 0,58% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
Essa é a leitura mensal mais baixa desde outubro, quando o IPCA apresentou avanço de 0,09%.
O resultado levou a taxa em 12 meses a 4,64%, de 4,72% no mês anterior. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 0,31% na comparação mensal e de 4,80% em 12 meses.

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IPCA em junho
O grupo Habitação exerceu a maior pressão sobre o índice, com avanço de 0,63% e impacto de 0,10 ponto percentual, embora tenha desacelerado em relação à alta de 1,22% observada em maio. O principal destaque continuou sendo a energia elétrica residencial, cuja alta perdeu força, passando de 3,67% para 1,53%, mas ainda representou o maior impacto individual do mês, de 0,06 ponto percentual.
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Além da manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, o resultado refletiu reajustes em concessionárias de Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. No Rio de Janeiro, a alta de 5,61% na energia elétrica incorporou a retomada de um reajuste tarifário de 15,10%, conforme determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto avançou 0,30%, influenciada por reajustes em Brasília, Rio Branco e Curitiba, enquanto o gás encanado recuou 0,57%, refletindo uma redução média de tarifas no Rio de Janeiro.
O grupo Despesas pessoais registrou a segunda maior alta entre os nove grupos pesquisados, com avanço de 0,25%, impulsionado principalmente pelos aumentos nos serviços de empregado doméstico (0,53%) e de cabeleireiro e barbeiro (0,65%).
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Em Saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,23%, destacaram-se os artigos de higiene pessoal, especialmente os perfumes, além dos planos de saúde. A alta de 0,34% nos planos reflete a incorporação do reajuste de até 5,11% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Já o grupo Transportes subiu 0,17%, influenciado principalmente pelo aumento de 7,12% nas passagens aéreas. Por outro lado, os combustíveis ajudaram a conter a inflação ao registrar queda de 0,48%, com recuos em todos os principais itens: etanol (-3,09%), óleo diesel (-1,19%), gás veicular (-0,19%) e gasolina (-0,12%).
No grupo Alimentação e bebidas, houve uma mudança significativa de direção. Após alta de 1,33% em maio, os preços recuaram 0,24% em junho, gerando o principal alívio para o índice, com impacto negativo de 0,05 ponto percentual.
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A alimentação no domicílio caiu 0,39%, influenciada pelas reduções nos preços do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). Entre as exceções, destacaram-se as altas do feijão-carioca (8,31%) e da batata-inglesa (3,57%).
A alimentação fora do domicílio também desacelerou, passando de alta de 0,49% em maio para 0,15% em junho. Tanto os preços dos lanches quanto das refeições perderam força no período, contribuindo para o cenário de inflação mais moderada observado no mês.
(Com Agência IBGE e Reuters)
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