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Uma ligeira piora nos núcleos, especialmente por conta de itens de serviços, como Educação, e um impacto mais forte dos reajustes nas contas de energia elétrica devem ser os destaques de fevereiro no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país que o IBGE vai divulgar na manhã desta sexta-feira (10). Para analistas, os preços continuarão pressionados no primeiro trimestre, mas isso não muda as projeções de desaceleração para o restante do ano.
Andrea Damico, sócia e economista-chefe da Armor Capital, acredita que o indicador vai “manter a temperatura” verificada na divulgação do IPCA-15, no final de fevereiro. Naquela ocasião, o índice preliminar do IBGE mostrou alta de 0,76%, acima do consenso Refinitiv, que era de 0,725.
Agora, a projeção da Armor Capital é de uma inflação de 0,82%, ante um consenso de mercado de 0,78%. “A gente deve ver uma ligeira alta do núcleos, principalmente por conta dos bens industriais e também um pouco de serviços subjacentes, parecido com o que a gente já viu no IPCA-15”, comentou Andrea.
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Isso não modifica o que a economista chamou de uma “visão construtiva da inflação” para o ano. “É mais um mês atípico do que propriamente uma mudança de tendência. Deve ter um soluço para cima dos núcleos, mas nos próximos meses os núcleos pode retomar a trajetória de queda”, analisou.
Energia elétrica
A análise da equipe do Banco Original é similar, embora a projeção para o indicador cheio seja um pouco menor, de 0,76%, com os reajustes anuais das mensalidades escolares ainda exercendo pressão.
“Fora isso, tem o aumento da energia elétrica, considerando a liminar do STF que restabeleceu a incidência do ICMS sobre as tarifas de luz”, destacou o banco.
Na direção contrária, o Original vê um possível alívio no grupo de Alimentos, por conta dos preços das carnes.
A reoneração do ICMS sobre as tarifas de uso do sistema de distribuição (TUSD) e de transmissão (TUST) também ajudaram a elevar as projeções da Kairós Capital, segundo o sócio e economista Marco Maciel.
A projeção para o IPCA de fevereiro é de 0,84%, exatamente por conta de os preços administrados poderem subir 0,92% devido aos reajustes da energia elétrica residencial. “Esse é o item de fevereiro que acaba afetando mais significativamente a inflação de preços administrados. E em março deve ter o impacto da reoneração do PIS/Cofins sobre os combustíveis”, comentou Maciel.
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Nos preços livres, o economista da Kairós prevê uma alta de 0,81% no mês, com o efeito sazonal da Educação ainda pesando sobre o indicador de fevereiro.
Ele também citou a possibilidade de surpresas de alta nos preços de transporte por aplicativo, nos preços de higiene pessoal e em automóveis novos. Vestuário também pode surpreender para cima, após quedas em janeiro e no IPCA-15.
Por outro lado, Maciel prevê que a alimentação no domicílio deve mostrar uma variação de preços muito baixa em fevereiro, de 0,10%, uma vez que o IPA agrícola tem mostrado comportamento de desinflação.
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Carlos Lopes, economista do Banco BV, está com projeção inferior à do consenso, de 0,74%. Além da já citada pressão dos preços da Educação, dado o reajuste regular de cursos no mês, ele vê pressões elevadas em despesas pessoais, em saúde, em artigos de residência, comunicação e habitação, ou seja, um comportamento mais disseminado de alta
“A gente ainda entende essa leitura como uma inflação bastante pressionada e resistente. Os próximos meses devem vir nessa linha, com inflação mensal acima de 0,60% e continua sendo um quadro de certa cautela com a inflação”, comentou.
Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, afirmou que “qualquer número acima do consenso de 0,78% reforça a estratégia do BC para continuar com os juros altos”.
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Ele concorda que o setor de serviços é o que mais tem se destacado e trazido as grandes surpresas e as maiores acelerações de preços. “Até por conta da reabertura da atividade econômica, com as pessoas voltando para a rua, acaba aumentando a demanda por serviços de maneira geral. Então esses setores seguem relevantes na observação dos agentes econômicos”, afirmou.